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Mercado de orgânicos
cresce, mas ainda enfrenta barreiras, dizem produtores
21-06-2012
O mercado para produtos orgânicos – sem
uso de agrotóxicos, adubação química
ou hormônios – está se expandindo
rapidamente no Brasil, mas os produtores ainda enfrentam
barreiras para chegar aos consumidores. A avaliação
é de produtores orgânicos reunidos na conferência
Green Rio, evento de agricultura orgânica paralelo
à Conferência das Nações
Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.
A produtora rural Romina Lindemann, da empresa Preserva
Mundi, que fabrica produtos de uso medicinal e veterinário
a partir do neem, uma erva indiana cultivada na fazenda
da família, no município de São
João de Pirabas, no nordeste do Pará,
reclama da falta de assistência técnica
e da logística de entrega.
“O neem é uma planta indiana usada há
mais de 4 mil anos na medicina na Índia. Lá
ele é usado como repelente de insetos e como
creme dental, pois os indianos mascam os galhos do neem
como se fosse a escova de dentes”, disse.
“A dificuldade para os produtores orgânicos
é o acesso à assistência técnica.
Hoje o produtor fica carente. A indústria química
tem pessoal para colocar equipes viajando de carro pelas
estradas do país. Os produtos naturais custam
até mais barato, mas não tem a assistência
que a indústria química dá. O governo
tenta fazer algumas ações, mas ainda é
muito limitado”, disse Romina, que cultiva 160
mil pés de neem em sua fazenda.
O produto tem apresentações em pó,
sabonete ou líquida e pode ser usado no combate
a piolhos, bernes, vermes e mosca de chifre em bovinos,
na forma de chá.
Para a produtora orgânica Rosangela Cabral, dona
da empresa Secale Pães Orgânicos, o maior
problema não foi a aceitação de
sua linha de pães, mas a dificuldade para encontrar
uma logística de distribuição que
atenda tanto aos grandes mercados como às pequenas
lojas de produtos naturais, muitas a centenas de quilômetros
de distância de sua padaria, em Porto Alegre.
“O negócio está crescendo, mas
têm mil dificuldades. A empresa está indo
bem, mas eu preciso ter mais fôlego. O problema
é a logística de entrega, pois o volume
é pequeno e o frete é caro. Para o orgânico
deslanchar de vez no Brasil é preciso resolver
a questão da distribuição”,
avaliou Rosangela que há seis anos fabricava
500 pães por mês e, hoje, produz 15 mil.
O produtor rural Dick Thompson, da região de
Itaipava, em Petrópolis (RJ), começou
há cerca de 22 anos entregando verduras orgânicas
para cinco amigos que moravam no Rio de Janeiro. Depois
de trabalhar por anos no mercado financeiro, ele resolveu
investir em um sítio de 50 hectares na serra
e optou pela produção sem venenos ou adubo
químico, quando criou a empresa Sítio
do Moinho.
“Na época era uma novidade completa. Comecei
pensando em alimentar minha família de uma forma
saudável e correta. Aí entendi que o processo
era benéfico não só para a saúde
do indivíduo, como para o meio ambiente e o mundo.
Comecei entregando verduras em domicílio para
cinco amigos. A coisa foi crescendo e hoje fazemos 300
entregas por semana, disse Dick, que também vende
seus produtos em uma loja própria na zona sul
e deve inaugurar outra na Barra da Tijuca. Além
das hortaliças, ele também comercializa
massas, granolas, pães e outros artigos orgânicos.
Para ele, o preço dos orgânicos jamais
será o mesmo que o da produção
convencional, pelo simples fato de que a produção
orgânica leva mais tempo para chegar ao ponto
de colheita ou de abate, justamente por não utilizar
de adubação química nem de hormônios.
“Uma alface orgânico leva três meses
para estar pronta. Uma de agricultura convencional pode
ser colhida em dois meses. Ou seja, com orgânico
eu tenho quatro safras por ano, enquanto com adubação
química consigo seis. Os orgânicos serão
sempre de 20% a 30% mais caros”, comparou Dick.
O secretário nacional de Agricultura Familiar
do Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA), Laudemir Müller, acredita que estratégias
de governo possam equilibrar os preços. “O
nosso objetivo é que os orgânicos tenham
os mesmos preços de mercado que os não
orgânicos. Nossa estratégia é promover
a produção orgânica e a agricultura
familiar, gerando desenvolvimento no meio rural, e dar
acesso a um alimento de maior qualidade nutritiva e
socioambiental. A produção orgânica
já não é cara. Temos uma política
de crédito específica para os orgânicos
e uma assistência técnica e de extensão
rural”, disse Müller. Atualmente, segundo
o MDA, o país tem registrado cerca de 90 mil
famílias dedicadas à agricultura orgânica.
A responsável pela conferência Green Rio,
Maria Beatriz Martins Costa, da empresa Planeta Orgânico,
reforça a tese de que a produção
orgânica está ficando cada vez mais barata
e acessível a um segmento maior de consumidores,
por meio dos ganhos de escala. “Um grande impulso
que o mercado está tendo são as políticas
públicas, na medida em que os agricultores familiares
têm incentivo a entrar no setor orgânico.
Um dos maiores grupos de supermercado do Brasil registrou
crescimento de 35% na venda de orgânicos em 2011,
comparado com o ano anterior, que já vinha de
um crescimento de 70% desde 2003, quando começaram
a trabalhar com produtos orgânicos”, destacou
Maria Beatriz. (Agência Brasil)
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