Negócio hoteleiro mudou de perfil nas últimas décadas

31-01-2012

Por Bruno Capelas - bruno.capelas@usp.br

Um estudo desenvolvido recentemente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP verificou como o edifício e o negócio hoteleiro têm mudado de características nas últimas décadas. “De uma caixa retangular recheada com ‘camas e chuveiros’ e administrada por uma família, os hotéis hoje são empreendimentos extremamente versáteis, cujo valor patrimonial é lançado por oferta pública de ações e cuja estrutura construtiva atende aos mais variados estilos”, explica a hoteleira Ana Paula Garcia Spolon, professora adjunta da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autora da pesquisa Hotelaria, cidade e capital: o edifício hoteleiro e a reestruturação dos espaços urbanos contemporâneos.

Orientada pelo professor Paulo César Xavier Pereira, da FAU, a pesquisa foi tema da tese de doutorado de Ana Paula, defendida em 27 de maio de 2011. A tese é um desdobramento do trabalho desenvolvido pela autora em seu mestrado, em que analisava a hotelaria e o crescimento do setor em São Paulo no período entre 1995 e 2005. No doutorado, resolveu expandir o foco de suas atenções para como a área hoteleira, desde o ponto de vista da estruturação do capital e da constituição estética, era percebida no mundo.

“É importante não deixarmos de olhar para fora, o que às vezes percebo que a academia brasileira faz pouco”, diz. “A hotelaria internacional registra experiências extremamente interessantes e a hotelaria brasileira, da mesma forma, tem grande relevância”. Em ambos os casos, no Brasil ou no exterior, ela afirma que, ao contrário do que se pensa, a atividade hoteleira não é ingênua: “É um típico exemplo das relações comerciais muito bem engendradas. Se o negócio for estruturado para ter lucro, ele será realizado, independentemente de ser necessário desde o ponto de vista da oferta e da demanda hoteleiras – e o contrário também. Pode haver demanda, mas se o negócio não se mostra interessante, não vai para a frente. Cada vez mais, a construção de hotéis está orientada por princípios financeiros, a maioria deles de ordem global”, afirma.

Experiência

Um dos pontos verificados por Ana Paula em sua pesquisa foi o de como os edifícios hoteleiros passaram ter um papel diferente nas áreas urbanas, com formas inovadoras e funções que vão além de simplesmente oferecer hospedagem, interferindo na percepção que as pessoas têm do espaço no qual se instalam. Ela cita o One Single Room Hotel, desenvolvido pela Association Etienne Boulanger e que ficou instalado em Berlim, na Alemanha, entre novembro de 2007 e março de 2008. “Era um quarto dentro de um outdoor. O dono do hotel alugou dois espaços de outdoor numa esquina da cidade, e dentro dele construiu um quarto, com banheiro, luz elétrica e até uma TV. A diária custava cerca de 20 euros”, relembra a pesquisadora.

Outros exemplos são o Everland Hotel, projeto dos arquitetos Sabina Lang e Daniel Baumann, na verdade uma suíte de hotel materializada dentro de um contêiner, que é colocado em lugares inusitados, como o topo do Museu de Arte Contemporânea de Paris, onde esteve entre 2007 e 2009, e o Corona Save the Beach Hotel, construção feita com lixo coletado em praias, que viaja o mundo, instalando-se em áreas importantes de grandes cidades.

“Arquitetonicamente, esses locais não têm valor. O que vale é a experiência”, disserta Ana Paula, referindo-se a uma ideia que vem ganhando força nas últimas décadas, não só no ramo hoteleiro, mas também em outros setores, como na gastronomia e em produtos culturais. “A experiência é algo que transforma uma simples história em um acontecimento memorável. A hotelaria tem feito isso por meio, por exemplo, do desenho de novas maneiras de apropriação e valorização do espaço”.

Recentemente, os hotéis também passaram a promover a reestruturação não só da experiência de hospedagem em si (o que se reflete nos valores de diária), mas também do espaço em seu entorno. A pesquisadora cita o caso do Hotel Unique, projetado por Ruy Othake e situado na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio (Zona Sul de São Paulo). “O Unique, com seu formato de fatia de melancia, acaba se tornando representativo para a cidade, para bem ou por mal, ou seja, gostemos ou não de sua estética. O edifício é um elemento representativo. E quando alguém paga para hospedar-se nele, paga pela experiência gerada por essa representatividade”, conta.

Ana Paula ressalta que seu trabalho deve servir como exemplo de novos estudos a serem conduzidos na área de hotelaria. “O usual é só se pesquisar o tema a partir de seu aspecto técnico, ou seja, pela vertente da organização e da gestão de empreendimentos. São estudos necessários e relevantes, mas reducionistas. O espectro de pesquisas a serem realizadas é muito maior e existe muito mais vida por trás desse assunto”, explica a pesquisadora. (Agência USP de Notícias)

Mais informações: emails anapaulas@usp.br e anapaulaspolon@id.uff.br

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