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No dia
do trabalho, centrais sindicais celebram o cabresto
patronal
01-05-2009
Bonito pela própria natureza, o Brasil é
um país cheio de parvalhices. Uma delas se dá
no dia 1º de Maio, quando se comemora o dia do
trabalho. Está virando lugar comum encher praças
pelo país afora com shows gratuitos para os trabalhadores
assistirem unidos.
São promovidos pelas centrais sindicais, cujos
cofres são recheados pela contribuição
subtraída dos salários dos trabalhadores,
por repasses dos governos e por outras coisitas mais,
que deveriam ser investigadas pelo Ministério
Público. Por que não sai uma CPI das centrais
sindicais?
Enfim, dizem os senhores sindicalistas que promovem
esses shows que milhões serão levados
às praças para se "divertir".
Ora, eles estão comemorando o uso do cabresto
patronal. Sim, cabresto. Atire aí uma carteira
de trabalho aquele que nunca quis ser dono do próprio
nariz. Ser patrão e tocar a vida do seu jeito.
É claro que nem todos podem. Para alguns, falta
aptidão. Para a maioria que tem este sonho o
que faltam são linhas de crédito. Públicas
e privadas. Nos Estados Unidos, existem milhares de
empresas especializadas em financiar quem quer ser empresário
e que tem uma idéia na cabeça, mas lhe
faltam fundos. Ainda lá, o sistema bancário
também tem linhas de crédito para isso.
Aqui, a cultura é outra. Poucas empresas se
arriscam a emprestar algum a quem tem uma idéia
na cabeça. As poucas que o fazem, o fazem depois
que o negócio já está andando.
Os bancos, por sua vez, arrocham nas taxas para os pequenos,
enquanto são pródigos em bajular os grandes.
O setor público também é especializado
em ser bonzinho com os grandalhões.
O BNDES que o diga. Suas taxas de juros são
dignas de primeiro mundo, mas vai você, empresário
nanico, tentar levantar um empréstimo. Uma empresária
de porte médio, conhecida nossa, foi lá
duas vezes. Numa delas lhe pediram "bola"
(um dinheirinho para o café, se me entende).
Na outra ouviu o seguinte: "O banco só empresta
para grandes empresários". Claro que existem
linhas para pequenos, mas é pouco muito pouco,
perto do que se dá para os graúdos.
A torneira do crédito público, na ausência
do privado, deveria ser mais generosa com os pequenos.
Os grandes que se virem de outra forma ou que paguem
taxas mais salgadas. Mas isso não acontece e
nem vai acontecer. Afinal, são os grandes empresários
que empregam milhares de trabalhadores, os mesmos que
viram massa de manobra dos sindicalistas e curral eleitoral
dos políticos.
Entendeu o mecanismo? Políticos, sindicalistas
e grandes empresários estão na mesma mesa.
Todos eles ganham com esse capitalismo de araque. Veja
o caso da "BrOi", casamento da OI com BrTelecom,
patrocinado com bilhões de reais arrancados dos
cofres públicos.
Seria muito mais positivo para a economia se esse dinheiro
todo fosse emprestado para pequenos empresários
a juros camaradas ou mesmo a fundo perdido. Inclusive
em termos de geração de empregos (a BrOi
disse que não ia demitir e já começou).
Mas isso não seria bom para o sistema nacional.
Iria romper com milhares de cabrestos. E aí você
sabe: sem cabresto fica difícil de controlar,
não é?
A propósito, tem mais do mesmo no texto:
País
precisa de mais empresários e não de mais
empregos - 12/02/2007
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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