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Vazamento da prova do
Enem serve ao governo
01-10-2009
Nada como um dia depois do outro. Até ontem,
o assunto envolvendo o Enem era extremanete negativo
para o governo e para os organizadores do exame nacional
do ensino médio, que servirá como passaporte
para as universidades, em futuro próximo, em
substituição ao vetusto vestibular.
O tema que ocupava a imprensa envolvia a distribuição
dos locais de prova para os inscritos. Muitos foram
jogados para longe de casa, mais precisamente para outros
municípios. Houve casos nos quais a distância
batia nos 400 quilômetros. Um cidadão da
cidade de São Paulo foi selecionado para fazer
prova em Bauru, cerca de 350 km distante, conforme relato
que ouvi na rádio CBN-SP.
Na mesma rádio, entrevistaram um representante
do Inep, órgão do ministério da
Educação, responsável pelo Enem,
sobre a confusão. Disse ele, infelizmente me
foge o nome, que o fato era por culpa dos próprios
inscritos, que deviam ter preenchido errado o cadastro
na internet. Pois bem, garantia ele, bastava entrar
em contato pelo site ou pelo telefone e pedir a mudança.
Haveria tempo hábil, jurava ele no rádio,
para mudar tudo até sábado.
No sábado e no domingo, a prova seria aplicada
para 4,1 milhões de candidatos em 1,8 mil cidades
do país. Você acha que daria tempo para
mudar? Eu não sei, mas acho difícil. De
qualquer forma, mesmo que desse, ficava a mácula
no processo todo. Ou seja, um processo que pode definir
o destino de milhões errava no básico,
a logística para os candidatos realizarem a prova.
Assim, o vazamento da prova, denunciado pelo jornal
O Estado de S. Paulo, vai acabar servindo para esconder
a trapalhada dos endereços. Quem vai ficar falando
disso, quando se sabe que prova tão importante
vazou? Não afirmo que foi gente do próprio
governo que fez isso. Mas que tal vazamento ajuda, ajuda.
Daqui a 45 dias, segundo o ministro Haddad diz, outra
prova deve ser aplicada. Como se vê, haverá
tempo de suprimir os erros primários.
Por fim, uma constatação:
existem quadrilhas especializadas em fraudar vestibular
nos quatro cantos do país. Volta e meia algumas
são desbaratadas e outras surgem no lugar. Esse
povo ganha dinheiro vendendo o gabarito das questões
para candidatos fracos da cabeça, mas que têm
a carteira recheada. Nunca vi uma quadrilha procurar
jornais para vender o vazamento da prova (o denunciante
que procurou o Estadão queria R$ 500 mil). Seria
como matar a galinha dos ovos de ouro.
Mas podemos ficar tranquilos. A Polícia Federal
foi acionada para solucionar o caso. Nossa PF é
muito competente. Talvez a solução para
o caso do Enem saia junto com a solução
para o caso do dossiê contra os tucanos, que rondou
a última eleição presidencial.
Por falar nisso, de onde saiu o dinheiro para comprar
o tal dossiê? Eram quase R$ 2 milhões,
encontrados com gente ligada ao PT.
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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