Lula sabia da nacionalização e não tomará nenhuma decisão dura contra a Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, mandou avisar ao presidente Lula que nacionalizaria por completo o setor de petróleo, com evidentes prejuízos para a brasileira Petrobras, mas em clara sintonia com a proposta eleitoral do ex-líder cocaleiro.

O fato consumado, por demais esperado, levou o alto escalão do poder em Brasília a fazer a sua parte na encenação de surpresa. A reunião de ministros e representantes da estatal acabou como estava previsto: sem nenhuma ação a ser anunciada, até porque pouco há o que ser feito.

Com efeito, a Bolívia tem todo o direito de nacionalizar suas riquezas minerais, como já tinha feito por duas vezes no século passado, desde que, evidentemente, não atropele os direitos das empresas que se instalaram e investiram no país. Indenizações precisam e devem ser estabelecidas e pagas.

A questão prática que resta é a seguinte: como fica o abastecimento de gás para o Brasil? De lá vem mais da metade do consumo doméstico, sendo que atinge 100% em alguns estados das regiões Sul e Centro-Oeste e bate em 75% em São Paulo.

Dizem os bolivianos que não faltará combustível. Melhor assim. Mas o caso serve de alerta e praticamente joga uma pá de cal na idéia mirabolante do supergasoduto, lançada ao espaço pelo líder venezuelano Hugo Chávez, conhecido como o "Chapolim" dos presidentes latino-americanos.

Faria melhor a Petrobras se investisse pesado no aproveitamento das reservas brasileiras de gás recém-descobertas, entre elas a da Bacia de Santos, cujo potencial é gigantesco. Neste caso, o país não dependerá do humor dos presidentes "muy amigos" de Lula.

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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