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Por
que a seleção canarinho virou a
galinha do galo francês
Raramente me dou ao trabalho de
escrever sobre futebol. O motivo é que
não entendo o suficiente sobre o tema para
tomar o tempo do leitor. Mas fui forçado
a tal, em função do fiasco brasileiro
diante da seleção francesa, pelas
quartas-de-final da 18ª Copa do Mundo.
Não analisarei o jogo,
pelo motivo exposto acima. Digo apenas que, depois
de tamanha sucessão de fracassos ante os
gauleses, a nossa seleção pode ser
considerada a galinha do galo francês. Não
por acaso, o lateral esquerdo Roberto Carlos foi
flagrado em posição vexatória
na hora do gol.
Perder é natural. Faz parte
do jogo. Perder sem suar a camisa, é vergonhoso.
Pior, parece que foi de propósito. Explico:
existe uma briga surda nos bastidores da dinheirama
global do futebol em torno da criação
de novos torneios ou mesmo pela valorização
de alguns já existentes.
O que querem é dar força
a um campeonato global de clubes, tirando gás
da Copa do Mundo. Os europeus da UEFA, a confederação
do continente, é que puxam essa carroça.
Afinal, lá estão os clubes ricaços,
cujo plantel é formado, na maioria das
vezes, por migrantes.
É claro que a Fifa é
contra. Agora, vejam que curiosas coincidências:
quando o velho nadador brasileiro João
Havelange deixou a presidência da Fifa,
quem ocupou seu lugar foi o francês Joseph
Blatter. Ele assumiu em 1998, ano em que perdemos
para a França a final da Copa, num dia
em que Ronaldo deu um xilique no hotel. O Brasil
ficou 24 anos sem ganhar uma Copa, desde 1970.
Pois, Havelange ficou 24 anos no cargo.
Caso o Brasil conquistasse mais
um título mundial, agora em 2006, a turma
da UEFA ganharia força. Afinal, para que
uma Copa do Mundo se o Brasil entra favorito e
sai com o título? Seria melhor equalizar
as forças, mesclando talentos, como acontece
com os clubes, não é mesmo?
A derrota da seleção
brasileira é boa para a Fifa, é
boa para a CBF, só não é
boa para o torcedor. Mas quem se importa com o
torcedor?
PS: no jogo com a França,
apenas quatro dos brasileiros que entraram jogando
mostraram que honram a camisa: Lúcio, Juan,
Gilberto Silva e Zé Roberto. Tirando Dida,
os demais não merecem ser citados. Deixo
de fora da crítica os que entraram no segundo
tempo. Tiveram pouco tempo para mostrar alguma
coisa. Por que será?
* Tatão de Souza é
jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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