Tatão de Souza

Quanta tristeza! - 02/12/2005

A semana termina sob o estigma da tristeza. Lula ficou triste com o PIB e com a danação do "amigo" velho de guerra José Dirceu. Que coisa, até parece armação. Enquanto esteve no "puder", o Golbery do PT só fazia disparar perdigotos contra a política econômica do Palocci. Ao ter seu mandato entregue em sacrifício no Congresso, sobrou-lhe a alegria de ver o sofrimento do ex-colega de ministério.

Corrói-me a alma deixar tantos anos de exílio forçado e voltar a labutar na imprensa hodierna em dias tão plúmbeos. Ontem, ao participar de um regabofe num dos restaurantes mais bem frequentados de São Paulo, ouvi estupefato às lamúrias de um alto executivo sobre as perspectivas para 2006: "Tem eleição demais neste país", disse, entre uma garfada e outra.

Ledo engano. Eleição nunca é demais, respondi-lhe incontinete. Na verdade, quanto mais houver, melhor. Só assim a sociedade oxigena os corredores embolorados das repartições públicas, um ambiente no qual o desvio de caráter se reproduz com facilidade e as punições são relevadas ou simplesmente procrastinadas.

Quem é contra o voto, ou defende mandatos quilométricos, mira guloso os arreios do populacho encilhado.

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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