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PACotelho
mira o crédito e acerta nos menos abonados
Nunca na história deste país
houve governo tão eficaz em não fazer
nada, como já disse aqui em outros tempos. Olhe-se
em volta e atire o primeiro PAC aquele que é
capaz de discorrer sobre algo que tenha sido erguido
por este governo. Mudou alguma coisa na saúde,
na educação, na infra-estrutura, na insegurança,
na roubalheira e na corrupção de raiz?
Pois é, nada mudou e nem vai
mudar, nem que tal governo se perpetue no poder. O maior
trunfo, a estabilidade econômica e o crescimento
que caminha para ser sustentado, surge exatamente porque
não mexeu no que era feito pelo governo anterior
e seguiu a cartilha monetária ditada há
anos pelo FMI, Banco Mundial, Tesouro americano etc
e tal.
O mais curioso em tal deserto administrativo
é a capacidade de se distorcer a realidade e
a repetição ad nauseam de que a gestão
pública foca os mais pobres e necessitados. Balela.
Veja-se o caso da CPMF. Diziam que os sonegadores é
que não queriam sua prorrogação,
quando na verdade a paulada caia mesmo é na cabeça
dos menos favorecidos, pois seu custo estava embutido
em todos os preços (e não será
tirado agora, mesmo com o fim da contribuição).
Os donos da bufunfa têm como contratar consultoria
ou ser ensinados pelos seus bancos a escapar da mordida
gulosa dos impostos.
Agora, para compensar a extinção
da CPMF baixaram um PACotelho, com aumento do IOF (sobre
operações financeiras) e da CSLL (sobre
lucro líquido dos bancos), além de medidas
ilusionistas envolvendo redução de despesas
públicas. Mais balela. Nem vou perder tempo falando
sobre corte de gastos, outra incapacidade administrativa
típica deste governo.
Vou tratar apenas do aumento da cangalha
dos impostos. No caso da CSLL, disseram que os bancos
estão lucrando demais e, portanto, devem fazer
sua parte. Ora, pitombas, só quem acredita na
Carochinha é capaz de supor que os bancos não
vão repassar tal custo.
O que não disseram é que
o real objetivo do PACotelho é encarecer o crédito,
que anda crescendo demais, e pode botar mais fogo na
lenha da inflação. Se isso der certo,
o BC deve continuar na moita, sem puxar os juros para
cima - o mercado financeiro entendeu o recado e, no
dia em que as medidas foram anunciadas, os juros futuros
caíram. Mas não disseram isso porque assim
iriam assumir que não administram pensando nos
menos abonados.
Conforme o que foi divulgado, quem vai
pagar o IOF mais salgado é quem depende de operações
de crédito, além de câmbio e de
seguro (a incidência sobre títulos e valores
mobiliários não mudou para não
jogar água fria na embalada Bovespa).
Só que os mais abonados têm
como fugir desse custo no crédito. Basta pagar
à vista a compra do bem e nem depender de empréstimos
bancários. Mas, quando a dona Maria que vive
de salário mínimo for na loja para trocar
de fogão ou geladeira, vai sair carregando um
carnê recheado com o IOF mais gordo. O mesmo vale
para quem ficar pendurado no cheque especial ou precisar
levantar um papagaio no banco.
Em resumo, o PACotelho nasceu para esfriar
o crédito e vai pesar mesmo é no bolso
de quem ganha menos. O resto é história
do país do Nunca D´antes.
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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