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Capacidade
de gestão do governo Lula pode ser conferida
na HDTV
O ano está acabando e o brasileiro não
deve deixar de assistir ao maior espetáculo de
gestão do governo Lula: a implementação
do sistema de transmissão do sinal de televisão
em alta definição, a chamada HDTV, ou
high-definition television.
Por trás deste campeão de baixa audiência,
labutou o ministrou Hélio Costa que, com seu
vozeirão empostado e sua fisionomia plastificada,
se saia melhor como correspondente internacional da
Rede Globo.
Ora, vocês se lembram das promessas? Vou listar
algumas:
1) o receptor será barato. Vai comprar um para
você ver.
2) teremos o sistema mais avançado do mundo,
com interatividade total, algo como o casamento da TV
com internet, graças à adoção
de um software tupinambá batizado de Ginga. Até
agora, nada, só chuvisco.
3) vamos ganhar uma fábrica de chips . Isso é
coisa que os japoneses nunca prometeram, mas que o governo
vivia trombeteando para atender ao lobby das emissoras
de TV, que defendiam a adoção do sistema
japonês.
Como se vê, ou melhor, não se vê,
a HDTV dá traço no Ibope nas cidades em
que já foi instalado o sistema. Mas não
vamos ser injustos e jogar toda a culpa na capacidade
de gestão do governo.
As emissoras de TV estão numa sinuca e não
querem tanto assim o pleno funcionamento da HDTV. O
nó da questão é como a interatividade
e outras funcionalidades do Ginga (outra boa invenção
brasileira que não decola) vão afetar
a receita publicitária.
A audiência total da TV está na encolha,
fruto da concorrência de outras mídias,
com a internet aí puxando a fila. Mais estrago
virá quando o telespectador passar a usar a TV
com o Ginga. Afinal, também será possível
pular os intervalos comerciais e assistir só
ao filé mignon da programação.
Resumo da ópera: o sistema só decola
quando as emissoras de TV quiserem (OBS: o mesmo acontece
com a TV paga no país. A rápida popularização
dela traria efeitos para lá de danosos ao faturamento
da Rede Globo).
O governo tem culpa nessa esparrela toda envolvendo
a HDTV porque prometeu o que não podia entregar.
Agora, que o projeto está completando um ano,
deveria tratar de relançá-lo em bases
mais realistas. Mas é difícil que isso
aconteça. Afinal só os bons gestores aprendem
com seus erros.
Quem quiser saber mais sobre o tema, sugiro ler a matéria
Após
um ano, TV
digital chega a 0,3% da população brasileira,
publicada na Folha Online desta terça-feira.
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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