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Em
caso de reeleição de Lula, poder
estará no colo do PMDB
Os petistas riem à-toa
toda vez que uma nova pesquisa de intenção
de voto expõe uma posição
favorável à reeleição
do presidente Lula. Não gosto de olhar
para o passado, mas já previa isso ainda
em 2005, quando os respingos dos escândalos
ainda tisnavam a imagem arredondada do líder
petista.
Da mesma forma, também
venho dizendo que o PT irá se transformar
em Pó de Traque, na medida em que se desidrata
aos poucos, até virar algo parecido com
o PDT, um partido morto-vivo desde o desaparecimento
de Leonel Brizola.
Os otimistas dizem que a representação
parlamentar petista em Brasília deve cair
cerca de 20%, depois das eleições
deste ano. Já os realistas falam que a
encolha atingirá, no mínimo, 40%.
Por conta disso mesmo, os iluminados
estrategistas do partido cortejam com tanto amor
e simpatia o PMDB. Os salamaleques chegaram ao
ápice com a recepção de Lula
a Orestes Quércia, um dos inimigos fidigais
dos petistas em passado recente.
Na presença do senador
Aloizio Mercadante, virtual candidato derrotado
ao Palácio dos Bandeirantes, o ex-dono
do posto foi pedir a cabeça, ou melhor
a vaga de Eduardo Suplicy, que quer concorrer
à reeleição ao Senado por
São Paulo. Ouviu que isso não é
possível.
Entenda-se: caso Suplicy não
gozasse de tanto apreço e votos entre os
eleitores paulistas, até por conta de sua
conduta anos-luz distante das mãos sujas
de tantos outros petistas, ele seria sacrificado
sem dó nem piedade.
Mas ele tem o voto e o respeito
do eleitorado de São Paulo, até
entre os não-petistas. Entregá-lo
em sacrifício causaria sérios abalos
num dos principais colégios eleitorais
do país e poderia afetar Lula, inclusive.
Enfim, Quércia ouviu de
Lula que o PT quer que o PMDB indique o nome do
vice na chapa para a presidência da República.
Só que a oferta mais divide do que une
os peemedebistas. Assim, dizem os leitores de
bola de cristal que José Alencar deve repetir
a tabelinha de 2002.
Passadas as eleições,
os governistas do PMDB irão ao Palácio
cobrar sua fatura. Além de terem bombardeado
a tese da candidatura própria, terão
ao seu favor uma robusta representação
parlamentar. Serão esses parlamentares,
mais os adesistas de sempre, e os petistas, em
minoria, que comandarão a pauta no Congresso.
O jogo ficará empacado
se as oposições, leia-se principalmente
PSDB e PFL, fizerem bancadas expressivas. Aí,
ou se negocia ou não há governo.
Em qualquer cenário, um eventual segundo
mandato de Lula terá ainda menos cores
petistas, se isso chegou a existir um dia.
Quando o novo ministério
for montado, vai-se constatar que o poder estará
no colo do PMDB governista.
* Tatão de Souza é
jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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