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A única
arma que a ULM tem para se fazer ouvir pelo governo
Serra é a música
Nesta sexta-feira, às 16 horas, alunos e professores
da Universidade Livre de Música Tom Jobim vão
fazer um protesto, em frente à sede da instituição,
na Luz, região central da cidade de São
Paulo. Eles querem ser ouvidos pelo governador José
Serra.
O motivo para a protesto é a desinformação
e, por que não dizer, a falta de respeito com
que vêm sendo tratados, desde que o governo resolveu
mudar a forma de gerir a institutição,
criada há quase 20 anos no governo Quércia
e que teve o próprio Tom como seu primeiro reitor.
Os 2 500 alunos, muitos deles jovens, que aprendem
de graça desde teoria musical, canto coral ou
a tocar instrumentos como violino e piano, não
sabem oficialmente onde estarão estudando no
ano que vem e nem se terão aulas. Ou seja, se
houver um virtuose no meio dessa turma toda corre-se
o risco de perdê-lo para sempre.
Os cerca de 200 professores também estão
meio perdidos. Mas no caso deles, pelo menos existe
um horizonte. Foram informados que quem quiser continuar
dando aula, sabe-se lá onde, vai ter que passar
num exame.
Alguns, que têm mais de 10 anos de casa, acham
a medida desnecessária e dizem que ela visa apenas
contratar gente com salários menores. Outros
perguntam: por que não fazer concurso só
para os novos professores? Afinal, o quadro de pessoal
precisa ser ampliado
Tudo isso está acontecendo porque a gestão
da ULM passará às mãos da Faculdade
Santa Marcelina, escolhida num processo realizado na
surdina de julho de 2008 para cá. O processo
foi tão sigiloso que profissionais de áreas
importantes da ULM não sabem dizer como a Faculdade
foi escolhida.
Por que foi assim? A assessoria de imprensa da secretaria
estadual de Cultura respondeu com o comunicado oficial
que reproduzo abaixo e com outras explicações.
Diz, por exemplo, que a Santa Marcelina tem experiência
em educação musical, sendo responsável
pelas aulas do projeto Guri.
De qualquer forma o processo devia ter sido mais transparente,
em respeito aos alunos, que estão lá para
aprender, e aos professores, que estão lá
para ensinar.
O protesto desta sexta-feira dificilmente vai envolver
tiros e bombas de gás, como o que aconteceu recentemente
quando integrantes da Polícia Civil quiseram
tomar de assalto ruas próximas ao Palácio
dos Bandeirantes. O pessoal da ULM só tem a música
como arma.
Aos argumentos dos policiais grevistas o governador
já respondeu com diversas propostas. Será
que ele fará ouvidos moucos ao pedido de diálogo
dos músicos?
C O M U N I C A D O
"A Unidade de Formação Cultural
da Secretaria de Estado da Cultura faz saber que, a
partir do dia 13 de dezembro de 2008, a Escola de Música,
os Conjuntos Jovens e o Festival de Inverno de Campos
do Jordão do Centro de Estudos Musicais Antonio
Carlos Jobim serão geridos por uma nova Organização
Social.
A mudança pretende oferecer formação
musical da melhor qualidade, aprimorando os objetivos
atingidos até agora e aperfeiçoando a
administração para buscar maior eficiência
e melhor atendimento.
Assim, informa que ficou estabelecido o seguinte
cronograma de atividades para dar continuidade à
programação daquela escola:
1. O Processo Seletivo de Professores, previsto
no Decreto 50.611, de 30 de março de 2006, obedecerá
ao seguinte cronograma:
a. Inscrições: de 13 a 23 de dezembro
de 2008;
b. Seleção de Currículos: até
09 de janeiro de 2009;
c. Entrevista com candidatos selecionados: de 14 a 23
de janeiro de 2009
2. A contratação dos Professores
selecionados, em regime de CLT, terá início
a partir do dia 2 de fevereiro de 2009.
3. As aulas terão início no dia 2
de março de 2009 e continuarão a ser ministradas
nos atuais edifícios da Escola, nos bairros da
Luz e do Brooklin.
Os alunos aprovados nos exames do final do ano
letivo de 2008 terão suas matrículas automaticamente
autorizadas e as suas vagas garantidas.
São Paulo, 05 de novembro de 2008.
Luiz Nogueira
Coordenador
Unidade de Formação Cultural "
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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