Cadê o Brasil solidário que se mobilizou por Santa Catarina?

08-05-2009 (versão atualizada às 16h49)

Tem algo estranho acontecendo. No final do ano passado, o estado de Santa Catarina foi atingido por uma catástrofe natural. Chuvas acima do normal inundaram diversas cidades, desabrigaram milhares de pessoas e mataram mais de uma centena.

Me lembro que logo nos primeiros dias da desgraceira, o principal jornal televisivo do país, o Jornal Nacional, da Rede Globo, puxou uma campanha do tipo "Solidários por Santa Catarina" (criada pela RBS, afiliada da rede no Sul) . Nativa de lá, a top Gisele Bündchen fez apelos públicos por doações. Houve até a criação de uma camiseta. Bancos, públicos e privados, divulgaram contas para receber doações.

Cutucado, o Brasil solidário acordou. As doações fluíram de todo canto. Eram tantas, que chegou um momento em que a Defesa Civil catarinense pediu que parassem porque não havia mais onde colocar tanta coisa. Eram tantas e encheram tantos galpões, que despertaram o lado negro de algumas pessoas.

Vídeos flagraram voluntários catarinenses levando para casa objetos doados. Num deles, exibido pela própria Globo, soldados do Exército, chamados para proteger os galpões com as doações, discutiam sobre um tênis, alvo da rapinagem.

Mas isso é coisa menor. O importante é que o Brasil se mexeu e ajudou quem precisava. Pois bem, cadê esse Brasil solidário? Seis estados do Norte e do Nordeste estão sofrendo com as chuvas. Cidades estão embaixo d´água. Em números de ontem, quase um milhão de pessoas estão desabrigadas, houve quase uma centena de mortes.

É preciso acordar novamente o Brasil solidário. E agora muito mais, pois a desgraceira é pior. E se você quer ajudar e não sabe como, saiba que os Correios lançaram no final de abril de 2008 a campanha Solidariedade Expressa, com o objetivo de enviar donativos para estados nordestinos afetados pelas chuvas, sem custo algum para o doador.

Por que tal campanha dos Correios ainda não foi relançada em 2009 e trombeteada aos quatro cantos, via rádio, TV e jornais? Não sei e nem vou fazer ilações idiotas. Só sei que se isso tivesse ocorrido, o Brasil solidário teria acordado há mais tempo.

(Atenção: a primeira versão da coluna, publicada às 9 horas, cometeu um erro com relação à campanha Solidariedade Expressa, dos Correios, ao dizer que a versão de 2009 já estava em curso. Neste ano, apesar da gravidade da situação, uma nova versão ainda não foi relançada. Pedimos desculpas aos leitores)

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

Leia todas as colunas