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Clima
de já ganhou só faz estragos na
política e no futebol
O presidente Lula, dono de um
dos maiores repertórios mundiais de frases
sábias e aforismos afoitos, quis saber
do Parreira, numa videoconferência com representantes
do escrete canarinho, se o Ronaldo está
mesmo gordo, ou não. Ouviu como resposta
que ele está forte.
Já o rotundo atacante do
Real Madrid, ao ser informado pela imprensa, no
dia seguinte, sobre a preocupação
presidencial, disse que também tinha várias
perguntas a fazer a Lula. "São várias",
garantiu. Mas, entre tantas, gostaria de saber
se é verdade que o presidente "bebe
pra caramba".
Arrematou dizendo que o presidente
foi mal influenciado pela imprensa, que vive batendo
na mesma tecla. Ou seja, para variar, a culpa
é da imprensa. Deixando de lado o fato
de que a culpa é sempre da imprensa, em
qualquer situação, os dois personagens
públicos pisaram feio na bola.
Amante reconhecido do esporte
bretão, o presidente, cuja briga com a
balança também é antiga,
gosta de dar uns pitacos de vez em quando a respeito
do tema. Até aqui, suas pérolas
eram direcionadas na maioria ao Corintians.
Talvez animado com a posição
nas pesquisas de intenção de voto,
o presidente tenha resolvido abrir o leque em
ano de eleições. Trata-se de uma
estratégia perigosa. O clima de já
ganhou costuma fazer estragos no mundo esportivo
e no mundo da política.
Alertado sobre a fala de Ronaldo
por seus visionários assessores, Lula tentou
colocar panos quentes na história, enviando
uma carta aberta ao artilheiro. Disse que não
quis ofendê-lo e que procurava apenas pôr
fim à questão adiposa. O atacante
mandou dizer que não guarda mágoas.
Está aí uma pendenga
inútil. O presidente mais uma vez deixou
de lado a liturgia do cargo e falou demais. Já
Ronaldo faria melhor se fechasse a boca, em todos
os sentidos.
Cabe encerrar com um dos meus
ditos preferidos: misturar política com
futebol e tão perigoso quanto beber e dirigir.
* Tatão de Souza é
jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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