Alckmin dá sinais de que irá ao 2º turno e Evo Morales recua

Insuflado que foi por Hugo Chávez, o Chapolim dos presidentes latino-americanos, o boliviano Evo Morales fez o que fez com seu Grande Irmão do Leste, o Brasil.

Tamanha representação populista tem como meta as eleições para a composição da assembléia constituinte boliviana, que ocorre no segundo semestre. Enfim, jogava para a torcida interna.

Não discuto o direito do povo boliviano sobre seus gases. Cada país tem todo o direito de controlar os seus. O que está em questão foi a decisão inconsequente, para dizer o mínimo, da Petrobras, que nos tornou por demais dependentes de um só grande fornecedor.

Ora, nos anos 70, o país foi à breca porque dependia do petróleo importado. Anos depois, graças a muito investimento da própria Petrobras e às descobertas em águas profundas, além do programa do álcool (algo muito pouco valorizado), reduzimos esse problema ao mínimo. Será que a estatal não aprendeu a lição?

Enfim, espero que as descobertas de reservas nacionais de gás, como a gigantes na Bacia de Santos, recebam investimentos maciços que acelerem sua exploração comercial.

O que importa dizer é que o aparente recuo do presidente boliviano nos seus ataques teatrais ao Brasil tem razão em sigilosas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais por aqui. Nelas, Lula perde terreno, com os primeiros sinais de que Geraldo Alckmin pode ir ao segundo turno.

Elas mostram que a frouxa reação de Lula às bravatas bolivianas pegou muito mal junto ao eleitorado. Mais ainda entre os nordestinos, que esperavam de um conterrâneo cabra da peste algo mais contundente.

O sinal vermelho piscou no Planalto. Ato contínuo Morales foi alertado que era hora de baixar o tom. Mais ainda em relação a assuntos mortos e enterrados, como a anexação do Acre, e outros muito vivos, como a tomada de propriedades rurais de brasileiros em território boliviano.

Querem que a pendenga se resuma à questão do gás e sem muita marola, cujo desfeito já adiantei aqui: o preço vai subir, mas o consumidor brasileiro, industrial e doméstico, só vai sentir o cheiro depois das eleições de outubro.

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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