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Embraer amplia produção
interna de móveis; deveria produzir carros
13-10-2009
É impressionante a vocação da
indústria nacional para investir em abobrinhas.
Hoje, levei um susto com a informação
que a Embraer vai se especializar na produção
dos móveis que equipam o interior de suas aeronaves,
principalmente daquelas focadas na avição
executiva.
(Se você não leu o material produzido pelo
Valor Online, e publicado no portal UOL, clique aqui)
A explicação, dada por um profissional
que responde pela diretoria de Inteligência de
Mercado da Aviação Executiva, é
que a empresa quer se especializar em atender com esmero
o público corporativo, muito preocupado com o
interior das aeronaves.
Ora, pitombas, todo estudante de gestão sabe
que a terceirização veio para livrar as
empresas de áreas e serviços internos
que só lhe tiram foco do principal. A fazer valer
esta meta divulgada pela Embraer, logo ela vai produzir
os carpetes, as lâmpadas e as tintas usadas nos
seus aviões.
Em vez disso, seus executivos deveriam aprender uma
lição com a japonesa Honda. Esta empresa
começou com bicicletas, passou para bicicletas
a motor, chegou às motos e, por fim, aos carros.
Há pouco, nesta década, começou
a produzir aviões, de olho no filão de
pequenas aeronaves, no qual também atua a Embraer.
Gente boa para criar os carros a Embraer tem de sobra.
Muitos dos seus cérebros saíram do Instituto
Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, que
também fica em São José dos Campos.
Sabe quem também passou por lá, mas na
posição de professor? Foi o cientista
Urbano Ernesto Stumf, considerado o pioneiro no desenvolvimento
do motor a álcool no Brasil, tendo iniciado estudos
na década de 1950, lá mesmo no ITA
Pois é, temos uma escola como o ITA, o pai do
PróÁlcool, que depois redundou na criação
da tecnologia dos motores flex, e nunca juntamos isto
num carro genuinamente brasileiro. Há pouco,
veio a Braskem, brasileira do setor químico,
com o plástico verde. Enfim, está tudo
aí e não sai o carrro brasileiro, que
poderia ganhar o mundo com o marketing do carro verde.
Que não atirem críticas contra meu apelo
nacionalista. Não é nada disso, mas indignação
contra o desperdício deste potencial de geração
de riqueza e desenvolvimento. E mais, contra as potenciais
críticas eu aponto o mapa mundi da indústria
automobilística: todos os países importantes
têm sua marca própria. Da Índia
à Itália, da China à Coréia
do Sul, da Rússia à França.
Amaral Gurgel tentou botar seu bloco na rua e foi bombardeado
pelas múltis do setor aqui instaladas. Sua firma
foi à falência e os carros 1.0 são
uma triste lembrança da empreitada. Gurgel queria
produzir um carro com 650 cilindradas, leve e compacto.
Para tanto pedia corte dos impostos e suporte do governo,
via BNDES. As múltis se uniram e contra-atacaram
com o modelo 1.0. O aporte público saiu em contagotas
e o resto é história.
Diante da constatação de que a indústria
automobilística deu uma balançada, sendo
que a ex-gigante GM tem agora a maior parte de seu capital
nas mãos do governo americano, talvez fosse a
hora de ressuscitar a idéia de ter um carro nacional.
Um carro verde. Vai sair? Duvido. Essa proposta vai
ficar madura no pé. O Brasil foi moldado para
ser a fazendinha e o zoológico do mundo. Coube
a Ásia ser a fábrica (breve, voltarei
a este tema).
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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