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Repetição:
O texto abaixo foi ao ar no dia
4 de maio de 2006. Anunciado neste 14 de fevereiro
de 2007 o acordo com a Bolívia em torno
da pendenga, decidimos repetir a publicação
diante das seguintes constatações:
1) Como sempre, Lula cedeu;
2) O preço do gás só subirá
depois que Lula garantiu a reeleição;
3) O Brasil não só pagará
mais pelo gás, como injeterá mais
dinheiro no país vizinho, inclusive em
outros setores da economia;
4) Como aluno de Kirchner, Evo merece nota 10
Evo
Morales aprendeu com Kirchner que Lula cede sempre
O presidente Lula e sua turma
de ministros e embaixadores acumulam uma longa
lista de derrotas internacionais. Não gastarei
o tempo do leitor repetindo aqui o que está
sendo publicado a respeito, depois que a Bolívia
anunciou sua decisão sobre o gás.
Gostaria apenas de lembrar como
tem sido a relação com Nestor Kirchner,
o presidente argentino, conhecido como "pinguim"
por seus conterrâneos. Pois em todas as
pendengas entre os dois principais parceiros do
Mercosul, o argentino levou vantagem. A experiência
ensinou a Kirchner que Lula cede sempre.
Açulado pelo líder
venezuelano Hugo Chávez, conhecido como
o "Chapolim" dos presidentes latino-americanos,
Evo Morales resolveu adotar a mesma estratégia
de Kirchner: vai pressionar Lula, pois sabe que
ele cede sempre.
Não se trata de impor a
nacionalização do setor de petróleo
e gás, mas sim, caro consumidor brasileiro
(doméstico e industrial), de impor um gordo
reajuste na tarifa do gás que vem de lá.
Num ano eleitoral, aqui e acolá,
a medida terá impactos. Por lá,
a postura nacionalista do governo ajudará
a eleger uma base parlamentar constituinte alinhada
aos interesses de Evo. Por aqui, pode ter reflexos
na reeleição de Lula.
Diante disso, a Petrobras já
deixou cair a máscara da surpresa, exibida
no Dia do Trabalho, e reconheceu que teve acesso
ao teor do decreto de nacionalização
dias antes dele ser anunciado. Vide conteúdo
da entrevista coletiva que o presidente da empresa,
José Sérgio Gabrielli, concedeu
no dia 3 de maio.
O que preocupa mesmo a empresa
é o preço do gás. Posso até
errar, pois minha bola de cristal anda meio embaçada,
mas o preço subirá e o bolso do
consumidor nacional sofrerá o impacto depois
das eleições presidenciais por aqui.
Antes disso, Lula vai tratar de
ceder. O primeiro sinal veio na coletiva dos presidentes
"muy amigos", em Puerto Iguazú,
neste dia 4 de maio. Um dia depois de Gabrielli
afastar qualquer novo investimento da Petrobras
no país vizinho, Lula tratou de dizer que
não é bem assim e que novos aportes
brasileiros podem acontecer, até mesmo
em outros setores do país.
Evo deve agradecer a Kirchner
pelas aulas que teve.
* Tatão de Souza é
jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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