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PT nasce e morre com Lula, como o PDT de Brizola
Os fatos históricos são
melhor vistos e analisados em perspectiva. Nada
nos impede, porém, de tecer elucubrações
quando eles ocorrem diante de nossos narizes.
Veja o que o ocorre com o Partido
dos Trabalhadores. Aos vinte e poucos anos de
existência assumiu o principal cargo do
executivo brasileiro, com a ascensão de
Lula à presidência.
Pouco depois, quando assoprava
a velinha do 1/4 de século, o partido sentia
o travo amargo de ter-se transformado numa grande
vidraça, inundada de manchas de corrupção,
tal qual tantas outras que apedrejou.
Agora, caminha para novas eleições
majoritárias, das quais sairá inapelavelmente
derrotado. Pode até colher a reeleição
de Lula, mas vai encolher em todas as frentes:
nos estados e no Congresso. Tem gente que diz
que, depois dessas eleições, o partido
deveria trocar o nome para Pó de Traque.
Trata-se de um processo natural,
para um partido que prometia demais e que se mostrou
incapaz de executar. Fica a certeza que o partido
é ruim de serviço, tanto nas prefeituras
como no governo federal.
Não venham aqui dizer que
o partido caiu na armadilha do mercado financeiro
e não pode gerir a economia como tão
sonhava. Mentira. A verdade é que faltou
mão executiva para trabalhar, qualquer
que fosse a frente. Resta apenas a mão
que doa dinheiro público, travestida de
programa social, e a mão boba que tenta
garantir algum para si.
Por falar nisso, quantas cuecas
recheadas de dólares e reais cruzaram os
ares até que uma fosse flagrada? Quantos
esquemas de arrecadação foram montados,
antes que alguém caísse morto?
Quem conhece os intestinos do
partido sabe que ele foi montado em cima de uma
colcha de retalhos, composta por uma miríade
de facções esquerdóides,
entre as quais tem até gente que acredita
que a salvação virá do espaço,
burocratas, intelectuais, e sindicalistas.
A liga que une esse povo se chama
Lula, que nunca foi de esquerda e muito menos
petista. O negócio dele é o poder.
Fez e fará qualquer coisa para se manter
lá. Vejam como é a ironia do carrossel
dos tempos: anos atrás, o PT chegou a tramar
pelo lançamento de outro nome às
eleições presidenciais. Hoje se
agarra ao de Lula como o lazarento que vê
seu corpo apodrecer.
Apesar de seu partido se desmanchar
à luz do sol, o presidente ainda goza de
apoio popular. O eleitor-povão fareja coisa
ruim, mas teima em acreditar que seu mais próximo
representante eleito nos últimos tempos
não sabia mesmo de nada.
Olhando à frente, caso
Lula se reeleja mesmo, teremos um presidente refém
do Congresso. Seu partido terá encolhido
e a base de sustentação parlamentar
custará muito mais caro do que agora. Neste
cenário, o presidente do Congresso pode
se transformar no homem mais importante da República.
O bom disso tudo é que,
tal qual todos os líderes que se julgam
acima de tudo e de todos, Lula não semeou
sucessor. O PT nasce e morre com ele, como o PDT
de Leonel Brizola, que não pode herdar
a sigla PTB de Getúlio Vargas.
Para matutar:
será que haveria agitação
política nas ruas se a posição
de Lula nas pesquisas fosse outra?
* Tatão de Souza é
jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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