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Cidade de São
Paulo deveria recusar-se a receber jogos da Copa 2014
16-06-2010
Agora é oficial: a CBF e a Fifa disseram não
aos mais de cinco projetos de renovação
do estádio do Morumbi, pertencente ao time do
São Paulo. O estádio, assim, não
vai receber nenhum jogo da Copa 2014.
Que me desculpem os torcedores do São Paulo,
mas acho que eles vão sair ganhando. Vou mais
além: a cidade de São Paulo não
deve e nem tem condições de sediar qualquer
jogo da Copa do Mundo de 2014. Todos os paulistanos
vão sair ganhando, se isso acontecer.
Não toquem as vuvuzelas e nem me atirem pedras,
ainda. Os motivos existem e são muitos. Primeiro,
já que o Morumbi foi jogado a escanteio, a cidade
terá que construir outra arena esportiva. Aí
que vem o azar da cidade e dos contribuintes, e a sorte
de alguns poucos.
Se for financiado pelos cofres públicos, quem
pagará a conta seremos todos nós, os brasileiros
(que já vão bancar a maior parte dos novos
estádios - tirando o de Curitiba). Os sortudos
serão aqueles que vão enfiar a mão
na cumbuca da corrupção.
Imagine você: se os jogos Panamericanos no Rio
de Janeiro estouraram em mais de três vezes as
estimativas iniciais de gastos, a Copa 2014 baterá
todos os recordes nacionais, mundiais e universais.
Mas o maior de todos os motivos é a logística
urbana. São Paulo está travada. O transporte
público é uma piada e nem de longe atende
às necessidades dos paulistanos. Quem tem carro,
já enfrenta congestionamento na saída
do próprio condomínio onde mora, ou se
esconde da violência.
A Prefeitura e a Câmara dos Vereadores rasgam
qualquer zoneamento urbano e permitem torres residenciais
ou comerciais gigantescas em ruas estreitíssimas.
Em vez de crescer, a cidade deveria encolher ou ocupar
melhor áreas degradadas.
Os otimistas dirão que a Copa trará bilhões
em investimentos na melhoria da cidade. Ledo engano.
O que precisa ser feito será feito de qualquer
jeito, mesmo que São Paulo não receba
jogos. O aeroporto vai ser ampliado, assim como o metrô,
o rodoanel, o ferroanel etc. Da mesma forma, a rede
hoteleira será ocupada, os restaurantes idem,
e o comércio sofrerá impactos positivos,
pois os turistas terão que passar pela cidade.
Recebendo jogos da Copa, os investimentos serão
direcionados para atender a esta e a apenas esta necessidade.
Aí que está a maior tolice, pois o que
vai restar é um estádio distante do centro,
bem servido por meios de transporte público.
Para quê, se hoje os estádio que temos
na cidade não lotam?
Alguns paulistanos fanáticos pelo esporte bretão
vão berrar contra minha posição.
Mas eles devem levar em conta a seguinte e definitiva
equação: se a maioria dos ingressos dos
jogos da Copa (em qualquer país é assim)
é destinada à venda aos turistas e às
empresas ligadas aos evento, sobram poucos para serem
vendidos aos nativos. E o que sobra custa os olhos da
cara. Resultado: um número ínfimo de paulistanos
vai poder assistir aos jogos no novo estádio.
A maioria ficará vendo tudo pela televisão
mesmo.
Conclusão: não vale a pena. A cidade
deveria aproveitar o caso envolvendo o Morumbi e se
mobilizar contra a construção de um novo
estádio. Mas, duvido que isso aconteça.
Afinal, existem muitos interesses econômicos,
políticos e clubísticos envolvidos. Por
fim, cabe lembrar que o presidente Lula, o Nunca D´Antes,
é corintiano de coração, clube
que não tem estádio decente, mas pode
vir a ter...
O torcedor corintiano pode até achar isso tudo
muito bom, mas uma cidade do tamanho de São Paulo
tem problemas bem maiores para resolver, e neste rol
não está atender a interesses de torcidas
de clubes de futebol.
Promoção: ganha uma bola jabulani quem
acertar o nome do chefe da delegação brasileira
na copa da África do Sul.
PS: Antes que me acusem de são-paulino despeitado,
aviso que não torço pelo time.
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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