Loja de "ricos", Tânia Bulhões dá exemplo de falta de educação

Na sexta-feira, dia 15 de dezembro, o coral infanto-juvenil da Universidade Livre de Música, conhecida como Tom Jobim, se apresentou em frente à loja Tânia Bulhões, nos Jardins, em São Paulo. Foi triste.

Crianças de até 16 anos, com chapéu de papai noel, ficaram ao relento, em frente à loja, cantando para o regozijo dos clientes abonados. Lá dentro se vendem antiguidades, ou coisas que fazem alguém fazer parte de alguma coisa, mesmo que não tenha passado.

O barulho dos carros, e até de helicópteros, fez com que o canto dos jovens sumisse no espaço. A pergunta é: por que convidar alguém se você não o leva para dentro de casa?

As crianças foram recebidas na garagem e de lá saíram para a apresentação. É o mesmo lugar de entrada e de saída de mercadorias. Nenhuma delas viu Tânia Bulhões. Nenhuma delas sabe como ela é. Nenhuma delas recebeu sequer um obrigado de alguém.

Esse é um exemplo típico desse país. Aqui, a elite se acha além do bem e do mal. Aqui a elite se acha além das convenções da boa educação. Como pode alguém convidar um coral para sua casa e não recebê-lo ou não se despedir dele. O que é isso?

É a ilusão de poder. A mesma que faz o governante dizer que não sabia de nada. Se ele não sabe de nada, como pode governar um país? No caso da empresária, repete-se o estigma da criadagem. Ou seja, o coral estava ali apenas para serví-la. Portanto, não merecia sua atenção pessoal. Quanta pobreza!

Enfim, encerro dizendo o seguinte: quem compra antiguidades não tem passado

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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