Tatão de Souza

FHC vai grudar em qualquer um que possa derrotar Lula

O ex-presidente FHC tinha um sonho que virou pó: queria voltar ao Palácio do Planalto como a salvação da lavoura, depois de um caótico governo Lula. Seria uma forma de limpar do seu currículo a pecha de que conseguiu aprovar a emenda da reeleição em troca de favores pecuniários. Depois do 3º mandato, iria se aposentar e entrar para a História.

O sonho desandou. Lula e seus asseclas até conseguiram criar uma bela de uma confusão política. Mas o toró foi amenizando e nada, por enquanto, indica uma piora substancial.

Já disse e repito: mantidas as condições climáticas, Lula será reeleito e seu partido vai virar Pó de Traque em representação no Congresso e em importantes estados.

Nenhum dos nomes citados até agora terá condições de derrotar Lula nas eleições. Soa como achincalhe citar alguns deles como potenciais candidatos com chances de vitória. O maior representante deste rol de bolhas de sabão é o ex-governador do Rio Anthony Garotinho. Vejam como ele saiu derrotado das eleições municipais em seu estado.

Como pode esse nome ter qualquer chance? Ora, diriam alguns apedeutas, ele aparece bem nas pesquisas. Isso não quer dizer nada. Como não queria dizer nada a vantagem que Serra chegou a exibir em alguns desses levantamentos recentes.

Por isso mesmo, labora em erro aquele que pensa que é Serra o virtual candidato a derrotar Lula nas urnas. Não será. Os números, no entanto, atraem e fazem os políticos da oposição salivarem.

Incapaz de realizar por si seu sonho de voltar nos braços do povo, FHC resolveu grudar em qualquer um que possa pelo menos consolar esse desgosto.

Foi isso que fez o ex-presidente sair disparando perdigotos nos últimos dias. Triste foi o resultado. Até no PSDB tem gente achando que o tiro saiu pela culatra. Por que isso acontece? Serei didático: no imaginário popular FHC é um dândi, um almofadinha, do mesmo jaez da ex-prefeita Marta, que quis porque quis ficar 8 anos e agora se arvora no direito de bombardear seu sucessor.

Melhor faria o Príncipe dos Sociólogos se botasse a viola no saco e praticasse apenas aquilo que fazia com maior prazer nos anos em que esteve no Planalto e sua rotina de trabalho começava perto do horário do almoço: a arte da fofoca.

Termino mandando dois recados às oposições:
a) O melhor candidato é Geraldo Alckmin, por mais que FHC trabalhe contra o berço covista da candidatura. Ainda que o governador paulista concorra, acho impossível Lula perder.
b) Delira quem acha que o eleitorado vai pender à direita. Ele sabe que o país tem uma dívida social a ser paga e por isso dará, por algum tempo ainda, voz e vez à centro-esquerda, ou pelo menos àqueles que se apresentam assim.

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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