Brasil deveria copiar Argélia e incentivar a criação de pequenas e médias empresas

20-05-2009

Volto aqui a um tema já abordado antes. Para não cansar o leitor com as minhas sempre mal traçadas linhas, reproduzo abaixo nota que li no portal da Agência de Notícias Brasil-Árabe (www.anba.com.br). Em seguida, dois links para artigos anteriores, nos quais abordei a necessidade de o país ter um grande plano de investimento focado em pequenos e médios empresários. O momento é oportuno para rebatermos nesta tecla, na medida em que o BNDES se prepara para injetar bilhões na fusão das gigantes Sadia e Perdigão. Ou seja, para os grandes empresários, bilhões, para os pequenos, migalhas. Vamos ao que interessa:

"Argélia quer criar 200 mil empresas (*)

O governo argelino anunciou um plano para a criação de 200 mil novas pequenas e médias empresas no país para gerar três milhões de novos empregos nos próximos cinco anos. O plano das PMEs é parte integrante do projeto de desenvolvimento argelino no qual o governo vai aplicar US$ 150 bilhões entre 2009 e 2014.

O presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, pediu que todos os ministros façam "o que for possível" para cumprir este grande plano, segundo nota publicada pelo conselho dos ministros argelinos. Esta foi a primeira nota de imprensa publicada pelo presidente argelino desde sua reeleição, no dia 9 de abril deste ano.

Segundo a nota, o plano presidencial tem como meta deixar o ambiente mais atraente para investimento e criar medidas para ajudar as pessoas desempregadas –"especificamente os jovens" – a conseguir micro-crédito para criar seus negócios e gerar atividade econômica.

De acordo com os ministros, o plano quinquenal tem metas ousadas como a melhoria da unidade nacional e modernização da administração pública do país e a reforma do judiciário, além do desenvolvimento da economia nacional através do investimento público.

Nos últimos seis anos, o país acumulou US$ 140 bilhões em reservas estrangeiras, devido às suas exportações de petróleo e gás. Estes fundos devem ajudar no desenvolvimento do atual plano quinquenal.

Desde que Bouteflika assumiu a presidência do país, a Argélia ganhou estabilidade política. O Produto Interno Bruto (PIB) nominal do país alcançou a cifra de 10 trilhões de dinares argelinos (US$ 139 bilhões) ao final de 2008, contra 6,1 trilhões de dinares em 2004. O desemprego, segundo dados oficiais, caiu de 24% em 2003 para 11,7% em 2007, mas o desemprego dos jovens com menos de 24 anos ainda é o dobro da taxa de desemprego geral.

Este plano econômico foi inspirado no modelo italiano, que se baseia em milhares de pequenas e médias empresas para a geração de renda, segundo informa o jornal Ash-Sharq Al-Awsat." (*Tradução de Mark Ament)

Artigos sobre o tema (clique para ler):

No dia do trabalho, centrais sindicais celebram o cabresto patronal - 01/05/2009

País precisa de mais empresários e não de mais empregos - 12/02/2007

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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