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O
que diferencia Palocci de Dirceu é a impressão
digital
Meses depois de ter sido expelido
do Congresso, o ex-tudo José Dirceu nunca
esteve tão ativo. Viaja para lá
e para cá costurando e obrando pela reeleição
de Lula. Voltou a fazer aquilo em que se sai melhor:
atuar nas sombras.
Quando guindado ao proscênio,
no cargo de ministro de estado, embananou-se todo.
Causou ciumeira no presidente, pelo poder que
exibia a torto e a direito, e desavenças
na classe política, pela ausência
de jogo de cintura. Enfim, mostrou que sua qualidade
maior está em destruir e não em
construir.
A primeira grande paulada que
levou envolvia o nome de um de seus mais diretos
assessores, Waldomiro Diniz, pego em vídeo
tentando tirar algum de um bicheiro. O ministro
balançou, balançou, mas não
caiu.
Depois veio a crise detonada por
Roberto Jefferson, insatisfeito com o tamanho
da fatia do bolo que lhe cabia. Aí não
deu para segurar mais e o ministro pediu o boné,
voltou para o mandato de deputado federal e foi
cassado, num julgamento político.
Vejam: há mais provas contra
alguns parlamentares que ficaram livres da cassação
em plenário do que contra José Dirceu.
Na verdade, cadê as provas contra ele? Taí
outra de suas qualidades: ele não deixa
impressões digitais.
Agora mirem o ex-ministro Antonio
Palocci. Com seu jeito afável, mas firme,
conquistou corações e mentes por
aí afora. Manteve o pulso na rigidez monetária,
mas deixou que as despesas do governo crescessem.
Cercou-se de técnicos na Fazenda, mas não
se afastou de todo das velhas amizades de Ribeirão.
Enfim, ia levando a platéia
no bico, até que surgiu o caseiro Francenildo
Pereira na história. Antes de continuar,
devo dizer que um detalhe nesta história
me chama a atenção: a mansão
em Brasília, que servia de rendevouz para
lobistas e profissionais do amor tem circuito
de TV. Uma câmera está localizada
bem em cima da porta da frente. Cadê as
imagens que elas gravaram, ou será que
serviam apenas de enfeite?
Bom, deixa isso para lá.
O fato é que o ministro sentiu cheiro de
fritura feia no ar (a sua) e resolveu agir. Caiu,
porém, na tentação maior
do poder: achou que podia tudo. Pior, deixou impressões
digitais. São tantas que a própria
Polícia Federal vai indiciá-lo por
crimes que podem render 10 anos de cadeia, segundo
relatório preliminar.
Como diria um velho político paulista,
com sua voz anasalada: "Meninos, não
deixem impressões digitais"
* Tatão de Souza é
jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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