Melhor escolha para a prefeitura de São Paulo é Geraldo Alckmin

Quero aqui abrir meu voto ao candidato Geraldo Alckmin, que ainda precisa passar pelo crivo da convenção de seu partido, o colóide PSDB (que varia entre o líquido, o sólido e o gasoso), para prefeito da cidade de São Paulo. Faço isso com a certeza de que ele tem bagagem para o cargo, ao contrário da ex-prefeita Marta Suplicy e do herdeiro de prefeito Gilberto Kassab.

No fundo, esta escolha parte não só da bagagem, que ele tem de sobra, pois foi vereador e prefeito de sua cidade, Pindamonhangaba, deputado estadual, deputado federal, vice e herdeiro do governador Mario Covas e, por fim, eleito governador no voto. Parte do fato inequívoco de que Alckmin é antes de tudo um administrador.

Poucos entendem o que isso significa. Vamos comparar na esfera presidencial: de 1990 para cá, só Itamar Franco tinha perfil de gestor. Os demais, inclusive o atual presidente, são apenas políticos. Ou seja, fazem do jogo de cintura e dos conchavos, a arte do possível, dependem do marketing e vivem culpando os outros, quaisquer que sejam, pelos seus fracassos.

Governar como gestor é complicado. Itamar sentiu isso na pele. Apesar de seu curto governo exibir número positivos na economia, virou motivo de piada na imprensa e caiu num ostracismo precoce. Queria que Rubens Ricupero fosse seu sucessor e viu Fernando Henrique ser eleito.

FHC passou seus dois mandatos fazendo política, muito mal por sinal. Não podia ser diferente. Do auto de sua sapiência, nunca tinha sido eleito para um cargo executivo. O mesmo se dá com Lula. Nunca ocupou cargo executivo. E, se foi presidente sindical e de partido, nunca aprendeu o que é ser gestor.

Não à toa, o governo Lula se esmera em não mexer na área econômica, com medo de desandar o que está se equilibrando. Naquilo em que põe a mão, como a escolha do padrão de TV digital e sua implementação, o que se colhe são fracassos.

E não venham dizer que a distribuição de renda melhorou e que a pobreza caiu graças a ele e ao seu governo. Isso é balela. Caiu porque a inflação serenou e os pobres descobriram o valor do dinheiro físico. Ao mesmo tempo, com estabilidade monetária, o empresariado pode prever melhor o futuro, tratou de investir e abriu vagas de trabalho.

Governar é mais do que isso. Exemplo: vão rasgar as regras para patrocinar o casamento bastardo da OI com a Brasil Telecom. A justificativa é criar um grupo nacional forte no setor de telecom. Piada. Ao mesmo tempo, o presidente e sua mulher se deixam fotografar mirando um carro de brinquedo feito com plástico verde.

Governar seria parar de jogar dinheiro público nessas maracutais empresariais para parir uma indústria automobilística brasileira, cujo maior atrativo global só os abúlicos não vêem: o carro verde. Afinal, além do plástico desenvolvido pela Braskem a partir do etanol, criamos a tecnologia do carro a álcool e, depois, a do carro flex.

Por que não juntamos tudo num produto só e ganhamos o mundo? Pois é, quem fizesse isso seria um governante, um gestor, um administrador do presente e do futuro do país. Lula tem essa capacidade? Não. Serra (possível candidato em 2010) tem? Não. Aécio (outro possível 2010, que deixa a irmã a governar e sai a passear pelo Rio ou se deixa fotografar ao lado de beldades) tem? Não.

Em 1990, o Brasil teve a chance de eleger Covas presidente. Ele, sim, era um gestor, como mostrou à frente do governo de São Paulo. Saneou as contas furadas deixadas por Quércia e Fleury. Atingido por um câncer, fruto dos cinco maços de cigarro que chegou a fumar por dia, se afastou do cargo e acabou falecendo.

Covas tinha ampla confiança em Alckmin. Sabia que ele também era um bom gestor. É também em nome dessa linhagem que declaro meu voto em Alckmin para a prefeitura. Um dia, quem sabe, passados esses outros politiqueiros que habitam o PSDB, ele tenha a chance de mostrar o que é ser um presidente gestor.

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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