Caso Arruda prova que cadeia faz mal à saúde

22-03-2010

O caso do ex-governador de Brasília José Roberto Arruda passará como exemplo aos anais do Direito Penitenciário brasileiro. Desde que foi encarcerado sua saúde piora a olhos vistos. Seu advogado disse hoje à rádio CBN que ele não fez nada no final de semana. "Está, praticamente, acamado", disse à rádio.

Há dias o governador foi enviado para fazer exames médicos fora da cadeia e se descobriu que ele tem uma artéria entupida e pode-se dizer que sofre de pressão alta. A defesa do ex-governador quer que ele goze do direito de prisão domiciliar. Nada mais justo, afinal as prisões nacionais não estão preparadas para acolhê-lo.

Desconfio, porém, que algumas providências podem aplacar um pouco o sofrimento do ex-governador, antes que a Justiça se pronuncie pela sua soltura. Uma delas é deixar que ele conviva com outros detentos. Isolado, talvez fique triste e acabrunhado. Junto com os demais, o clima de camaradagem que surge normalmente nas prisões pode animá-lo.

Enfim, preocupa-me, sobremaneira, o desdém com o qual as autoridades e a Justiça brasileira cuidam dos nossos prisioneiros. Ainda que não sirva ao fim e ao cabo para mudar a nossa legislação, o caso Arruda prova, definitivamente, que cadeia faz mal à saúde.

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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