Quem gosta de pobre é dono de curral eleitoral

Dono de um dos mais vastos repertórios de ditos e aforismos da história política universal, o presidente Lula, aquele que mais fez pelo Brasil em todos os tempos, disparou novas pérolas. Entre umas e outras, disse, conforme nota da Folha Online:

"Neste país tem um tipo de político que não gosta de pobre".

Sim, é verdade. Mas são dois os tipos de políticos brasileiros que não gostam de pobre:

1) o correto, que atua para que a pobreza seja reduzida;
2) o aproveitador, que não gosta porque se sente superior, mas não assume e ainda mente, dizendo que gosta, porque precisa do voto da maior parcela de nossa população.

A propósito disso, relembre-se Joãosinho Trinta, o genial carnavalesco, que disparou a seguinte frase tempos atrás: "quem gosta de miséria é intelectual".

Ora, direi mais: quem gosta de pobre é dono de curral eleitoral, pois colhe ali os votos de que precisa, em troca de alguns alpistes, que atira à plebe periodicamente.

Ao dizer que o problema dos pobres são os outros políticos e não ele, Lula assume um preconceito às avessas. Do mesmo quilate daqueles que saem dizendo gostar de negros, amarelos, muçulmanos, asiáticos, mexicanos, americanos, marcianos etc.

Ou seja, ninguém tem que gostar ou desgostar do outro por conta de sua condição social, econômica, religiosa, política ou o escambau.

Na verdade, o pobre ou os pobres, já que são milhões por aqui, não querem ver os políticos lhes declarando amor eterno. Querem respeito e, acima de tudo, condições para melhorar de vida.

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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