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BNDES
está disposto a reabrir o "hospital"
para socorrer especulador
Houve época em que o BNDES, banco de fomento
estatal que tem uma singela preferência pelos
grandes empresários, era chamado de hospital.
Bastava que o empresário em dificuldades fosse
amigo do governo de plantão para que o banco
lhe escancarasse as portas do cofre.
Agora, que a montanha-russa do mercado financeiro e
a disparada do dólar ameaçam os balanços
de grandes empresas, o banco resolveu ressuscitar velhas
práticas. O detalhe negativo é o por que
e para quem se destinará o socorro bancado pelas
tetas públicas.
O presidente atual da instituição, Luciano
Coutinho, disse que o banco poderá ajudar empresas
que tiveram perdas no mercado de câmbio, apostando
em derivativos. Esse nome ridículo esconde uma
jogatina. De um lado da banca, aposta-se na alta do
real e do outro aposta-se na baixa (frente ao dólar).
Sadia, Aracruz e Votorantim já vieram a público
reconhecendo perdas, na casa dos bilhões de reais.
Dizem por aí que a lista de empresas na ponta
errada da aposta tem cerca de 200 nomes. Deve ter sido
algum babalorixá que chegou a este número
e tratou de sair espalhando a desgraceira pela imprensa.
Pois é por conta disso que o dólar vive
agora dando saltos olímpicos, numa queda de braço
com o BC. Sabe por quê? Quanto mais ele sobe,
mas as empresas que apostaram em favor do real vão
perder. Já saiu por aí que a Aracruz quebraria
se tivesse que honrar seus contratos com um dólar
a R$ 2,70.
Luciano Coutinho disse que o socorro às empresas
especuladoras vai ajudar a acalmar o mercado. Ora, pitombas.
O mercado não está nervoso. Está
salivando de olho nos úberes públicos.
Pois serão verbas públicas a tapar buracos
privados. Buracos esses que foram abertos na jogatina
do mercado financeiro.
Diferente seria socorrer uma empresa com problema de
caixa porque o mercado de crédito secou. Diferente
seria socorrer porque o crédito para exportação
tirou férias. Diferente seria socorrer porque
as vendas caíram drasticamente com a crise lá
fora.
Ou seja, que salvem os produtivos e que deixem quebrar
os amantes da jogatina. Que sejam socorridos os pequenos
empresários, que nem conseguem pisar no BNDES
e vivem pendurados no cheque especial ou vivem endividados
nas linhas abusivas dos bancos privados.
Esses, sim, é que precisam urgentemente de
linhas especiais públicas, com juros de pai para
filho, como o BNDES tanto gosta de repassar aos grandalhões.
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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