Reeleição de Lula não significa absolvição do PT, pelo contrário

As pesquisas de intenção de voto são cada vez mais favoráveis ao presidente Lula. Alucinados com tais projeções, alguns próceres do PT disparam perdigotos, tentando ligar a reeleição a uma possível absolvição do PT. Nada mais abstruso.

Tenho dito há tempos que a tendência do PT é a de virar Pó de Traque. Podem me cobrar, quando as urnas forem "abertas". Por falar nisso, vejam as seguintes colunas:

Em caso de reeleição de Lula, poder estará no colo do PMDB - 05/06/2006
PT nasce e morre com Lula, como o PDT de Brizola - 15/04/2006

No sábado, dia 26 de agosto, o ex-ministro e atual deputado federal Antônio Delfim Netto, em longa entrevista à Folha de São Paulo, disse exatamente isso que abordei. "Previu" a importância do PMDB no 2º mandato e constatou o afastamento de Lula do PT - que murcha, segundo Delfim.

Não deixa de ser curioso: o PMDB que irá puxar as cordinhas do poder é comandado por alguns nomes que já foram execrados pelo partido de Lula. Integram esta seleção José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho e Romero Jucá, sem contar o próprio Delfim.

Mais curioso ainda é a "vingança" histórica de Sarney. Quando esteve na presidência, sofreu com a sombra e o poder de Ulisses Guimarães. Caso Lula venha a ser reeleito, Sarney não terá o mesmo poder de Ulisses, que "fez" até ministro da Fazenda, mas terá controle sobre áreas importantes do governo.

Outro grande latifundiário do 2º mandato será Calheiros. Quanto aos "velhos companheiros", Lula já começou a espalhar que vai cortar cabeças e reduzir o número de sinecuras. Justifica dizendo que sabe quem trabalha e quem não trabalha, conforme relato de artistas que participaram de encontro com o presidente.

É a ironia das ironias: alguns dos ditos representantes dos trabalhadores mostraram ao chegar ao poder que não gostam e nem sabem trabalhar. O negócio era mesmo se "arrumar".

* Tatão de Souza é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br

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