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Nunca
um governo foi tão eficaz em se mostrar
inútil
Nos últimos seis
meses, o brasileiro que se utiliza dos aviões
para trabalho ou lazer tem sofrido horrores.
O ápice da anarquia se deu na sexta-feira,
dia 30 de março, quando os aeroportos
foram fechados pela chantagem dos controladores
de vôo.
O governo cedeu às
reivindicações e os aviões
voltaram a voar no sábado. Entre
outras coisas, os controladores receberam
a promessa de que a categoria será
desmilitarizada, para que possam engordar
seus holerites, os rodízios e transferências
de pessoal serão suspensos, e que
o próprio presidente Lula vai recebê-los
em audiência.
Ora, pitombas, existe um
regulamento militar que foi rasgado, prisões
foram decretadas e depois suspensas e ainda
por cima o presidente vai receber representantes
da categoria? Precedentes assim são
perigosos.
Não discuto se a
categoria tem ou não razão,
mas como o governo tem tocado o assunto
até agora. Por que não assume
de uma vez que é a favor da desmilitarização
do setor ou que é contra? Por que
esse empurrar com a barriga, desde que houve
a primeira promessa de que iria levar o
assunto adiante?
A resposta só pode
ser que não conseguiram convencer
o alto escalão da Aeronáutica.
E se não conseguiram é melhor
lembrá-los que governar significa
tomar decisões, tendo sempre em mente
que o objetivo é atender a maior
parcela possível da população.
Sob comando militar ou não,
o controle de tráfego aéreo
precisa funcionar. É inadmissível
investir-se milhões no embelezamento
de aeroportos, gasto esse sob investigação
do TCU, quando equipamentos vitais quebram
e ficam dias sem conserto, como aconteceu
em Guarulhos.
E essa anarquia toda acontece
num momento para lá de positivo no
setor aéreo. Nunca o brasileiro viajou
tanto de avião, nunca recebemos tantos
turistas estrangeiros e nunca eles gastaram
tanto por aqui.
Pegando carona no dizer
lulista do país do nunca dantes,
nunca na história deste país
um governo foi tão eficaz em se mostrar
inútil.
* Tatão de Souza
é jornalista e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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