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Nova estatal do petróleo
deveria se chamar Petrosauro
31-08-2009
O presidente Lula levou 14 meses para botar no centro
do palco um monstro, a Petrosal, a filha caçula
da Petrobras, que vai se dedicar a extrair petróleo
das profundezas do mar.
Pois é, o país do Pro-Álcool,
do carro bicombustível, caiu na ilusória
tentação do ouro negro, enquanto o mundo
evoluído busca célere desenvolver tecnologias
limpas, que reduzam a dependência de combustíveis
fósseis.
Não vai demorar muito, talvez 10 anos, e teremos
uma redução significativa do petróleo
na matriz energética mundial. Curiosamente, quando
lá chegarmos, em 2020, o Brasil terá uma
produção diária de petróleo
multiplicada por dois, se as projeções
da caçula da Petrobras estiverem certas.
É inteligente para o país fazer esta
escolha agora: investir mais de US$ 110 bilhões,
pelas projeções oficiais, para dragar
dos confins oceânicos um produto cuja demanda
vai cair? Ou mesmo que a demanda não caia tanto,
seus preços vão, e isso pode inviabilizar
a exploração comercial de poços
tão profundos.
Não sei a resposta e este debate não
se fez a céu aberto, mas deveria ser feito. No
mínimo, para termos a certeza de que não
se está jogando dinheiro fora, como tantos governos
foram pródigos em fazer - quando não tiravam
dos cofres públicos para enviar às contas
secretas de outrem.
Não seria melhor reservar parte do dinheiro
para pesquisas de novas tecnologias limpas? Afinal,
um dia elas virão e serão economicamente
viáveis. Mas, se não tivermos a nossa
alternativa, como foi o álcool, teremos que importar
de outros países. Aí, um novo ciclo de
dependência energética vai se abrir, repetindo
para nós como foi a era de domínio do
petróleo.
Ao apresentar ao mundo o mais novo rebento de seu governo,
pródigo também em criar castelos de vento
(vide a HDTV e o conversor interativo), Lula inflou
o pulmão e bradou um novo grito de independência.
Ledo engano. Talvez, voltar-se ao petróleo neste
momento e com este ímpeto venha a garantir ao
país as amarras que vão deter seu desenvolvimento
econômico futuro.
Pior, todo o circo do pré-sal foi armado para
inflar a candidatura irrevogável da ministra
Dilma ao Palácio do Planalto. Isso não
é gestão pública. É oportunismo
eleitoreiro, cujas consequências nefastas podem
levar décadas para serem saneadas.
Juscelino cometeu erro de avaliação parecido,
em relação ao que seria melhor para o
futuro do país. Priorizou as estradas de rodagem
e deixou de lado as ferrovias. Hoje, a matriz rodoviária
carrega mais de 70% da economia. Fosse maior o peso
das ferrovias, teríamos custos menores de transporte
e estradas de rodagem menos esburacadas.
Veja, ainda estamos pagando por um erro cometido há
quase 60 anos. Isso sem falar em tantos outros erros
cometivos por tantos outros governos. O atual, tem sido
marcado por jogos de aparência e não por
eficiência. Talvez seja exigir demais que a gestão
Lula se preocupe com seus efeitos para além de
um ano, ou mesmo seis meses.
Por fim, deixo uma humilde sugestão: que se
troque o nome da nova empresa para Petrosauro, apelido
já muito usado em referência à gigantesca
estatal. É justo, afinal o filhote já
nasceu velho.
* Tatão de Souza é jornalista
e escritor - canalexecutivo@uol.com.br
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