"Esse artigo discute os aspectos práticos do direito
autoral, tanto dos conhecidos arquivos em formato MP3
quanto dos arquivos de karaokê, bem diferentes daqueles e
uma ótima opção de incentivo à venda de CDs e incremento
de público em shows."
“O mundo mudou.”
Esta frase que inicia o filme Senhor dos Anéis, também é
citada diversas vezes por cada um de nós em nossas vidas.
Poderíamos acrescentar “e com que agilidade!” Ao
analisarmos a história da humanidade, vemos que nos
últimos anos aconteceram saltos nunca antes vistos. Em seu
interior, talvez o homem esteja progredindo pouco. Todavia,
a tecnologia está de tal modo evoluindo que dois anos de
nossos tempos representam mais de 100 anos da idade média.
Na prática, em nossas profissões, todos lutam para
acompanhar o que está acontecendo e, como popularmente
dizemos, “correr atrás do prejuízo”. A questão dos
direitos autorais é uma das mais delicadas e atuais.
Enquanto de um lado a lei torna-se cada vez mais dura, com
pesadas penas, de outro o controle sobre a pirataria cada
vez se torna mais difícil. É como tentar apertar com força
um creme: ele inevitavelmente escorregará pelo vão dos
dedos. As leis existem para tentar controlar, regular, dar
um direcionamento a uma situação factual: depois de
percebida determinada realidade, tenta-se moldá-la através
de uma legislação. Em nossos dias, os cantores e músicos
recebem basicamente pela venda de CDs e nos Shows que
realiza. A venda da imagem na televisão ou jornais, as
exposições de sua música em rádios, livros de músicas e
outras geram apenas rendas periféricas. Servem muito mais
para divulgar seu trabalho do que necessariamente dar-lhes
lucro.
ARQUIVOS MP3
Existem diversos tipos de arquivos de
músicas. O que se destaca é o formato MP3, pois reproduz
fielmente a música original com qualidade digital e possui
um tamanho reduzido, graças ao processo de compactação
utilizado. Isso favorece os famosos “downloads” e trocas
de arquivos “ponto-a-ponto”, muito comuns na Internet. A
distribuição gratuita de arquivos MP3 na Internet atinge
direta e violentamente a principal fonte de renda das
grandes bandas: venda de CDs. Com relação aos shows, a
pirataria até favorece, de maneira imensurável, mas
certamente pequena. Por isso, os grupos musicais em início
de carreira autorizam que suas músicas sejam distribuídas
livremente na Rede. A venda de MP3, além do ataque às
vendas de CDs originais, afronta também a moral. É uma
maneira ilícita de ganhar dinheiro com o trabalho alheio.
A distribuição desses arquivos na Internet, vendidos ou
não, sem o pagamento dos direitos autorais seria
totalmente repudiável, se não fosse a observação de
diversos fatos da realidade:
- Em levantamento realizado pela Pew Internet and American
Life Project, divulgado recentemente, vemos que cerca de
35 milhões de adultos Norte-Americanos utilizam os
softwares de troca de arquivos de músicas. O número
aumenta para 60 milhões se levado em conta usuários de
todas as idades.
- Dos jovens americanos, com 18 a 29 anos, 72% afirmaram
que não se preocupam com direitos autorais. Já na faixa
etária de 30 a 49 anos, 61% tiveram opinião similar. Mas
foram os estudantes de tempo integral que obtiveram o
maior índice, 82%.
- O diretor do site Som Brasil – que teve que se
reformular e tirar do ar os MP3 que oferecia – declarou:
“Já procuramos o ECAD e os demais órgãos responsáveis,
queremos pagar legalmente, mas ninguém sabe quanto cobrar
e, ao invés de resolver, simplesmente nos mandam sair do
ar”.
- O ECAD - Escritório Central de Arrecadação e
Distribuição - é uma sociedade civil de natureza privada
instituída pela Lei Federal nº 5.988/73, criada pelas
associações de titulares de direitos autorais e conexos e
mantida pela atual Lei de Direitos Autorais brasileira –
9.610/98. É um órgão que tem demonstrado sua competência e
eficiência por muitos anos. Mesmo assim, até a presente
data, ainda não criou uma tabela dos valores que devem ser
pagos, para exposição das músicas através da Internet.
- A realidade de muitos quererem pagar e não saberem o
quanto e para quem é observada em todo o mundo, mesmo nos
países mais desenvolvidos.
Esses e diversos outros pontos nos fazem questionar nosso
primeiro impulso de julgar quase como “criminosos” aqueles
que distribuem arquivos MP3 na Internet. O fato é que cada
caso deve ser analisado com muito cuidado, sem eufemismos.
ARQUIVOS DE KARAOKÊ
Outros tipos de arquivos, também
encontrados em milhares de sites, são os formatos KAR,
ST3, MK1 e assemelhados. Diferentes dos formatos MP3 e
Wave, eles não contém o som da música, voz dos cantores,
som dos instrumentos musicais. Contém a letra das canções
e uma espécie de “partitura” que permite que os programas
de computadores interpretem e executem. Esses arquivos são
utilizados em programas “karaokê players’ ”, que exibem as
letras das músicas, enquanto utilizam os recursos do
computador para exibição da melodia. Analisemos a
distribuição gratuita desses arquivos: são empregados para
que as músicas sejam cantadas pelos usuários. É um hábito
muito popular nos países orientais. Recentemente, devido
às diversas passagens em programas de TV, tornou-se um
hobby de muitas famílias brasileiras. Com certeza, é um
hobby que estimula muito as vendas de CDs. Quem gosta de
cantar, seguramente gosta de ouvir as músicas, procurando
conhecê-las cada vez melhor. É bom para divulgação do
cantor e do grupo musical, favorecendo indiretamente o
sucesso dos shows. Este ponto de vista é bem interessante
e real. A brincadeira de karaokê, na verdade, é
extremamente favorável às bandas e cantores e, por
conseqüência, aos compositores e editores musicais. Vamos
um pouco mais além: a distribuição de arquivos de karaokê
pode, inclusive, incentivar a compra de revistas com
músicas cifradas, pois muitos dos que gostam de cantar,
também querem tocar essas mesmas músicas no instrumento
que dominam. É a divulgação da música em todos os aspectos.
Os únicos que poderiam sentir-se prejudicados com essa
massificação do karaokê na Internet, a princípio, seriam
os vendedores de títulos de karaokê para aparelhos como o
DVD Player, que possuam esse recurso. Esse mercado é ainda
insipiente e a realidade aponta para um público
ligeiramente diferenciado. O vídeo-karaokê dos DVDs é um
produto sofisticado, com melhor qualidade de som e imagem,
permitindo passar verdadeiros videoclipes como pano de
fundo das letras. É muito provável que a divulgação da
brincadeira de karaokê e dos arquivos e programas pela
Internet interfiram na decisão daqueles que irão adquirir
o seu aparelho: na hora da aquisição, darão preferência a
um aparelho que contenha os recursos de karaokê,
preferencialmente com títulos e microfones. Poderíamos
arriscar que há até uma influência positiva na venda dos
títulos dos DVDs, pois se você tem um aparelho em casa com
determinado recurso, certamente desejará explorá-lo. De
qualquer forma, o karaokê é um mercado completamente
diferente dos CDs de áudio e dos arquivos MP3. Essa é a
situação de fato. Todavia, a legislação ainda não se
deparou com essa realidade e trata a música como uma coisa
só, independente da forma como se apresenta. Os arquivos
de karaokê deveriam receber um tratamento completamente
diferente dos arquivos MP3. De maneira alguma estamos
dizendo que se devam ignorar os Direitos Autorais. Todavia,
são situações completamente diferentes que devem ser
levadas em conta, principalmente se não houver obtenção de
lucros na distribuição. Analisando as recentes matérias
divulgadas sobre Direitos Autorais na Internet, vemos que
estamos perto de soluções práticas para a questão dos MP3.
Esperamos que os arquivos de karaokê tenham o tratamento
diferenciado que merecem.
SITE CANTE!
Criado em fevereiro de 2000, não gerou
sequer R$ 1,00 de lucro para seus proprietários e
mantenedores. Persiste “no ar” porque os sócios da i.Tech,
microempresa que os mantém, possuem empregos fixos e fazem
deste site um hobby, com a possibilidade de um dia auferir
lucros, desde que dentro da lei. Conta com ajuda de
colaboradores de todo o país e até do exterior. Músicos
diversos que enviam arquivos para serem disponibilizados.
Há anos os proprietários vêm pesquisando e questionando as
Editoras Musicais, o ECAD e diversas Associações sobre a
questão dos Direitos Autorais. Chegou a negociar diversos
contratos e receber autorizações verbais para seu
funcionamento, mas nada amplo e definitivo ou que
abrangesse todas as músicas do site. Tem a expectativa, em
curto prazo, de acertar definitivamente sua situação, o
que foi sua meta desde o princípio e continua sendo.
ARQUIVOS DO SITE CANTE!
As músicas que se encontram no site
foram recebidas voluntariamente de colaboradores. É nossa
política prestigiar seus criadores. Sendo assim, mantemos
sempre o nome do autor que consta em cada arquivo que
recebemos. Quando recebemos arquivos anônimos no formato
MIDI, muitas vezes fazemos o trabalho de sincronização da
música, transformando-a em um arquivo de karaokê. Nesses
casos e também quando adquirimos arquivos diretamente dos
músicos, colocamos neles o nome da pessoa que o
sincronizou. Recebemos, também, inúmeras paródias, as
quais publicamos as melhores. Caso você seja músico ou
goste de escrever paródias e queira colaborar conosco,
acesse a seção colaboradores e envie-nos seu arquivo MIDI,
KAR ou ST3. Caso encontre algum arquivo em nosso site que
seja de sua autoria/produção, seja de karaokê ou imagem,
cujos méritos foram atribuídos a outros, envie-nos um
e-mail demonstrando o ocorrido, para que possamos corrigir
nosso equívoco ou, se for de seu interesse, retirar o
arquivo de nossas páginas. A não comunicação motivará uma
presunção tácita de sua concordância.