03-12-2007
Ata da festa de Natal do Bope

No dia 23 dezembro de 2006, teve lugar na Sede campestre do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) uma confraternização entre soldados e oficiais pelo encerramento de mais um período de 12 meses de ocorrências contra o crime no Rio de Janeiro.

Às cinco e quinze da manhã da referida data, o cabo Honorindo leu a ordem do dia. De forma resumida, o texto relatava que a festa estava oficialmente cancelada. E que, até segunda ordem de autoridade superior, estava todo o Batalhão obrigado a ali ficar em estado de “alerta vermelho”, pois a qualquer instante um de nossos comandantes passaria as instruções de uma nova incursão por alguma favela, boca-de-fumo ou equivalente.

Enquanto o documento não chegava, deveria-se aproveitar a decoração natalina da Sede e ir treinando tiro-ao-alvo e exercícios táticos de ataque-surpresa ao inimigo.

Sob a responsabilidade do tenente Duque, o Destacamento seguiu fielmente as determinações.

Metade fez fogo nos bonecos do terreiro do sítio até que nenhuma rena ou duende fosse mais do que um ínfimo e desprezível pedaço de papelão carbonizado.

A outra parte do Batalhão se dividiu em dois.

Um peru vivo foi algemado, amordaçado e colocado pelo tenente Duque num ponto desconhecido de todos.

Cada equipe tinha quinze minutos para localizar, desalgemar e retirar a mordaça do animal. Em seguida, deveria dar um jeito de arrancar da ave a informação de onde o capitão escondera o cabrito da ceia.

Quem conseguisse atingir o objetivo poderia comer peru e cabrito à moda do Bope: crus.

A Equipe “Saddam Hussein” venceu. Depois de ficar com a cabeça enfiada num saco plástico por cinco minutos, o peru abriu o bico. Além de apontar com a asa trêmula o local do esconderijo do cabrito (na sala de armas escondido embaixo de um lança-granadas), ainda dedurou um pato, um porco e um chester que iriam fazer parte das iguarias do jantar de Natal.

No momento em que todos eram degolados e colocados na salmoura, chegaram às mãos do sargento Cintra as ordens para a operação mencionada.

Doze homens experientes deveriam descer até o bairro da Tijuca, numa área fronteiriça à Favela da Rocinha e “desestabilizar” todos os papais-Noel da região. O Comando recebera a informação de que meliantes estavam repassando drogas vestidos de Bom Velhinho.

Tudo foi seguido à risca. Disfarçados de garis da Comlurb, os homens do BOPE surpreenderam a gangue rapidamente numa ação batizada, à maneira da Polícia Federal, de “Operação Ho Ho Ho”.

No final do dia, 38 papais-Noel, 17 Reis Magos, quatro camelos e um São José Carpinteiro foram direto de seus “presépios” para o IML.

Segundo o Comando Maior da Polícia Militar, nunca na história policial do Rio foram tirados de circulação tantas figuras bíblicas como naquela data. Até um Herodes foi levado à carceragem da PM com ferimentos leves de escopeta na região do abdômen.

Em 24 de dezembro, o Batalhão voltou a se reunir na Sede campestre.

Meia-noite, o capitão Martins esparramou toda a ceia no chão e fez os recrutas lamberem com a língua enquanto pagavam 100 flexões de braço.

Nada fora da rotina do Batalhão.

Caveirão! Hurra!!





 
 
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