21-04-2008
Só um funkinho não dói?

"Máquina de sexo, eu transo igual a um animal/
A Chatuba de Mesquita do bonde do sexo anal/
Chatuba come cu e depois come xereca/
Ranca cabaço, é o bonde dos careca"

"Me chama de cachorra, que eu faço au-au/
Me chama de gatinha, que eu faço miau/
Goza na cara, goza na boca/
goza onde quiser".

Sei que, dizendo isso, corro o risco de ser jurado de morte por toda a Ala B do Carandiru, mas funk é música?

Em outras palavras: o tal funk "de mercado" deveria ter tanto espaço na mídia?

Do jeito que vai, ninguém se assuste quando o Padre Marcelo aparecer cantando música especialmente composta pelo Tigrão: o "Funk da Cruzinha" ("TÁ CONSAGRADO! TÁ TUDO CONSAGRADO!").

Para mim, o ritmo gera engulhos. Lembra um daqueles órgãos Yamaha de churrascaria programados para tocar na função aleatória.

Junte-se a isso uma loira oxigenada repetindo uma escatologia qualquer, escoltada por um candidato a James Brown e por outras quatro ou cinco franguinhas de bunda de fora.

Perdoem-me os fãs, mas esse funk é chato.

Por isso mesmo, o Caetano e algum outro semiótico devem estar adorando.

Assim como veneram o axé-music - aquela espécie de funk-de-raiz.

O que as pessoas não estão percebendo é o que isso pode trazer para o futuro. Porque uma época que cultua esse tipo de manifestação não escapará ilesa de uma hecatombe. Há quem afirme que Sodoma começou num inocente bailinho de harpa e acabou na base do anjo exterminador.

No nosso caso, já dá até para imaginar como será o relatório de um arqueólogo, no ano 5008, sobre a vida no Brasil há 3 000 anos. "As mulheres eram chamadas, em canções populares, de cachorras. Não há dados científicos para explicar tal denominação. Mas escavações recentes descobriram nos destroços de uma antiga rádio FM uma canção que diz, "um pequeno tapa (na cachorra) não dói", configurando-se aí que o tratamento dado às representantes do sexo feminino era o mesmo dado aos animais de domésticos."

Mulheres-cachorras... Se uma declaração dessas tivesse sido feita à época de uma Simone de Beauvoir, de uma Betty Friedan, teríamos a Terceira Guerra Mundial deflagrada nos anos 60. As mulheres, em vez de queimar sutiãs, iam fazer pilhas de cuecas samba-canção e tocar fogo.

Mas estamos no Brasil do ano 2008 da Era Lula Superior.

E olha: já está me dando até saudade de ouvir Oswaldo Montenegro.

 
 
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