15-01-2009
O primeiro Papai Noel negro

A votação para Papai Noel nunca tinha sido tão concorrida na Lapônia.

As beiradas do fiorde Porsanger, o mais famoso do país do Sol da Meia Noite, lotaram.

As renas e os alces eram maioria.

Mas ursos, lobos, linces, lebres, martas, lontras, esquilos, raposas vermelhas, castores, veados, ratos almiscarados, lemingues e focas também tinham vindo em massa.

Houve uma prévia eleitoral em meados do ano. E os candidatos a Papai Noel de origem asiática, hispânica e latina foram eliminados do páreo.

Os conselheiros duendes deixaram para a reta final três pretendentes: um branco – e a novidade da temporada: um negro e uma Mamãe Noel.

No final, a polarização entre dois finalistas era inevitável.

O candidato negro acabou lançando um discurso mais sedutor que o da candidata do sexo feminino.

Ele pontificou uma radical mudança no Natal, com maior participação da classe média. Com essa retórica habilitou-se ao último turno com o postulante branco.

Começaram os ataques de parte a parte.

- A política para minimizar o lixo no pós-Natal dele é pífia – acusava o Santa branco.

- Chega de oligarquia “wasp” no mundo ocidental! Vamos começar a mudar isso pelo Natal – berrava nos microfones da TV o candidato negro.

- Façam a bobagem de votar nesse velhote – não desistia o branco – e vocês vão ouvir “jingle bells” em ritmo de rap até o fim dos seus dias!

- Melhor do que ouvir “jingle bells” country music! Bleargh!! – replicava, enojado, o outro.

Foram às urnas.

O negro ganhou no colégio eleitoral dos duendes por 48 X 12. E ainda levou no voto popular.

Para espanto da comunidade internacional a Lapônia elegera o primeiro Papai Noel negro da História.

No início de dezembro, o novo Santa Claus black recebeu da comunidade seu trenó em cerimônia oficial.

O candidato derrotado compareceu à tribuna.

Fez seu papel diplomático, abraçou renas, elfos, gnomos.

Enquanto isso, o Papai Noel negro saia voando sobre os fiordes, aplaudido pelos lapões.

Nessa hora, o perdedor branco disse, entredentes:

- Tudo bem, ganhou. Mas quero ver arrumar verba pra dar playstation pros conterrâneos africanos dele…





 
 
Veja também:

Crônicas
O Caseiro do Presidente
Aboboral
Limeriques e Casteliques
Letras
Privadas do Mundo
Nestor & Laika
E-mails dos Leitores

Castelorama - Home page

Fale com Castelo

 
 

Crônicas  O Caseiro do Presidente  Aboboral  Limeriques e Casteliques  Letras  Privadas do Mundo  Fale com Castelo