19-02-2009
O Exterminador do Presente

Cada Era tem um gênero de profissional em comum, exercendo uma função estratégica.

Na Idade Média havia o carrasco. Se o servo-da-gleba não andasse na linha dançava, não havia bobo-da-corte que desse jeito.

Na Revolução Industrial, vieram o Feitor e o Capataz. Com o chicote numa das mãos e a CLT e o "olho da rua" na outra.

No final do século XX surgiu a figura do Gerente.

Na pena de sua caneta tinteiro Parker estava o destino de levas de homens comuns.

Agora, em plena Era Tectrônica, temos um novo personagem desempenhando o histórico papel.

É o Exterminador do Presente.

Diferentemente do Feitor e do Capataz, este profissional é bastante sofisticado. Cursou as mais renomadas pós-graduções, tergiversa em vários idiomas e sabe usar todos os talheres, até para comer escargô.

Quando se escuta falar de "passaralho", não há dúvida: há um Exterminador do Presente por trás da presepada.

Mas por que isso acontece?

Bem, o Exterminador do Presente trabalha umbilicalmente ligado ao Financeiro.

Se o Faturamento cai, ele logo é acionado por sua Matriz e sai, facão à mão, caçando vítimas para destruir sumariamente.

Nessa altura da narrativa você deve estar se perguntando: mas quem extermina o Exterminador do Presente?

A resposta é óbvia: outro Exterminador do Presente.

Maior e mais terrorífico.

Mas quem extermina esse segundo ogro?

Um Exterminador do Presente ainda maior, com mais MBA’s e forte sotaque gringo.

E esse gringo, é detonado por quem?

E aí onde entra a Dona Neide.

Toda grande empresa que se preze tem uma senhora grisalha, meio encurvada, de saúde delicada.

Dona Neide não fala inglês, não sabe lhufas de cash-flow, não é Master em nada, só come comida sem sal e fica numa salinha nos fundos do Grêmio da firma.

Disfarçada de tradutora juramentada ou de secretária do Diretor Jurídico aposentado, ela é, de fato, a Exterminadora do Presente-Mór de Exterminadores do Presente que não servem mais à Corporação.

Dona Neide não assina demissão, não levanta a voz, nadica de nada.

Ela simplesmente “do the job.”

Chama à sua saleta um daqueles Exterminadores do Presente grandões, poliglotas, de terno Armani.

Liga o aparelho de som numa valsa. Tira o vestido encardido, o sutiã de bojo, a calçola e começa a dançar totalmente nua.

Depois, apanha uma mala de dólares (falsos) e passa a rasgá-los, calmamente, ao ritmo da música.

É como uma bala de prata para um vampiro.

Nenhum Exterminador do Presente aguenta ficar vivo depois de presenciar uma bizarrice dessas.

 
 
Veja também:

Crônicas
O Caseiro do Presidente
Aboboral
Limeriques e Casteliques
Letras
Privadas do Mundo
Nestor & Laika
E-mails dos Leitores

Castelorama - Home page

Fale com Castelo

 
 

Crônicas  O Caseiro do Presidente  Aboboral  Limeriques e Casteliques  Letras  Privadas do Mundo  Fale com Castelo