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20-03-2009
Clô e eu
Foi ali por 2003. Eu lançava o livro “Guia de Sobrevivência no Brasil”.
Naquela ocasião, a pedido do editor, eu ia a todo e qualquer programa de rádio ou TV que me convidasse para divulgar a “obra”.
Cheguei a apresentar armas num programa de rádio AM, que entrava no ar às 11 da noite e falava de futebol regional para os grotões.
Algumas semanas depois, eu recebia o convite para ser entrevistado por Clodovil.
Não me recordo o nome do programa, só sei que a mesa dele ficava no centro de uma grande e estranha cozinha.
Foi ali que me sentei, o livro nas mãos e cheio de papeizinhos marcando as partes sobre as quais pretendia falar durante a conversa.
Já sentado ao meu lado, cara emburradíssima e aguardando o sinal de que estávamos no ar, Clô me lançou um olhar fulminante. Em seguida, me tomou o livro das mãos, bruscamente.
- QUE HOR-ROR!!!! – gritou.
Quase corri do estúdio. Mas logo, bonachão, o estilista soltou uma de suas mefistofélicas gargalhadas e disse:
- Como é que você apresenta seu livro na televisão assim, meu amor? Cheio dessa papelama porca?
Na sequencia berrou para a produção:
- Traz post-it!!!
Para minha incredulidade, Clodovil tirou todos as minhas toscas marcações substituindo-as por papeizinhos colantes cor-de-rosa.
Entregou-me o livro de volta carinhosamente e iniciou a conversação, em rede nacional, perguntando meu signo.
- Áries – disse de bate-pronto.
Ao que ele, maledicente como sabia ser, acrescentou:
- Huuuummmm, ariano é bom de cama….
E deu outras daquelas gargalhadas.
Para mim, Clodovil merece luto oficial de 24 dias. Nada menos que isso.
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