30-11-1999
BALADA CIBERNÉTICA
(Carlos Melo / Cassiano Roda)
Você jogou fora o que era seu
Cuspiu no prato em que comeu
Seu proceder não foi sério
Me trocou por alguém eficiente
até mesmo mais potente
perpetrou-se o adultério
E eu fiz vista grossa, meu amor
mas bem sei que você me trai
com um microcomputador
Vi você com ele em nossa cama
disputando videogame
e fliperama
Mas previna a este fruto
da Ciência deturpada
que amanhã
vou arrancá-lo da tomada.
Recitativo:
De tudo ao meu computador serei atenta
Antes, e com tal zêlo, e sempre, e de modo tão terno
Que mesmo diante de um modelo mais moderno
Dele serei sempre a tiete mais sedenta
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de pagar as contas da Light
Que alimenta os seus megabytes
Sem nenhum pesar ou descontentamento
E assim, quando mais tarde, num outro dia
Quem sabe a assistência técnica,
Angústia de quem vive,
Pedir pelo seu conserto uns 800 paus
Eu possa dizer do computador (que tive)
Que não seja imortal posto que é fabricado em Manaus
Mas que seja infinito enquanto dure…a garantia.
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