30-11-1999
SAMBA DO INFERNO

(Carlos Melo / Lizoel Costa)

Um belo dia depois do expediente
Quando eu botava no cabide o meu terno
Tive um mal súbito, morri de repente.
Indo parar nas profundezas do inferno
Passei no céu mas resolveram me barrar
Burocracia lá no céu é o que há
É que eu morri sem preencher regulamento
que dá direito a residir no Firmamento.

Levei cartão, ganhei status de banido
pois me levaram direto pro Purgatório
Um anjo disse: faça um último pedido!
Lhe perguntei: onde é que fica o mictório?
Fui sem escalas lá pros quintos dos infernos
onde Satã me fez assinar um caderno
E disse: nêgo, tudo aqui é organizado
teve um rebu, agora tudo é estatizado.

Lá no inferno todo mundo come alcatra
só dá ministro e presidente de nação
Tá entupido de fãs de Frank Sinatra
e de apresentadores de televisão.
Tem ruas largas onde até um jato pousa
a maior delas chama Anastácio Somoza
E adivinhem quem por lá comanda a plebe?
É o Adolfinho com o Xá Reza Palevhi.

Lá no inferno as mulheres andam nuas
mostrando tudo até o fruto proibido
Mas seu Satã ferra com a gente, senta a pua
É que no inferno nenhum homem tem libido.
Ontem eu fugi pro paraíso com um sujeito
que fez o mapa do inferno, pelo jeito
Diz que é poeta e cheio dos guéri-guéri
seu nome acho que é Dante Alighieri...

 
 
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