30-11-1999
OURIÇO NA VILA

(Carlos Melo / Guca Domenico)

Eu fui à Vila Madalena
apanhar minha pequena
prum programa legal,
pegar uma tela e os cambaus
E na Fradique Coutinho
entrei lá no Sujinho
pra me ambientar
(a inteligenzia toda lá)
E quando fui entrando
fui logo morando
um papo diferente
na mesa de um livre docente
Ele defendia uma tese esdrúxula, paradoxal:
- Levando-se em conta o alcoolismo crônico de Scott Fitzgerald e a homossexualidade imanente de Proust,
temos, pois, que E é igual a M.C ao quadrado, morô?

Me encostei no balcão
e feito um espião observei o alarde
só dava Freud e Thomas Hardy
e fui me irritando
o papo piorando
pura citação
de Baudelaire até Platão
E tome Kurosawa
e tome James Joyce
E tome Hemingway
é tanto nome que nem sei
que saí meio grogue
chamando Van Gogh
de Galileu Galilei
(Jorge Goulart de Nora Nei)

Eu sou um erudito
de alto gabarito
intelectual
(Leio Camões no original)
Sou pós graduado
formei-me advogado
pelo telefone
(Via Embratel pela Sourbonne)
Assino o Estadão
sou de Oposição
Abaixo o sistema
já critiquei até cinema
Eu vou em gafieira
me amarro no Gabeira
E tô desempregado
(Um dia eu chego a Jorge Amado…)

Voltei àquela bodega
com uma raiva cega
E cuspindo prego
Me afetaram o Superego
E fui logo citando
no estilo Marlon Brando
Uma frase em latim:
(Rerum Novarum, James Dean)

Os caras se borraram
e já me contrataram
para lecionar
como professor titular
Na universidade
da nossa cidade
O idioma latino
( Como anda bem o nosso ensino…)

 
 
Veja também:

Crônicas
O Caseiro do Presidente
Aboboral
Limeriques e Casteliques
Letras
Privadas do Mundo
Nestor & Laika
E-mails dos Leitores

Castelorama - Home page

Fale com Castelo

 
 

Crônicas  O Caseiro do Presidente  Aboboral  Limeriques e Casteliques  Letras  Privadas do Mundo  Fale com Castelo