30-11-1999
TRAGÉDIA AFRODISÍACA

(Carlos Melo / Guca Domenico)

Fui dar uns esbordeios no Bixiga
Ver se alguma rapariga
Se dispunha a um tête-à-tête
(meu sonho era uma chacrete)
Mas antes do amor ser consumado
Quis ter o estômago forrado
Pra evitar humilhação
Corri pruma cantina italiana
Pedi filé à parmegiana
Com catuaba, arroz e pão
(para surpresa do garção)
De quebra um prato de sopa bem morna
Vinte ovinhos de codorna
Tudo ao molho vinagrete
(para encarar o tête-à-tetê)
Comi mais do que um monge tibetano
A sobremesa foi tutano
Pra aumentar minha energia
Quando eu ainda queixava-me da conta
Lá no ról de entrada aponta
Um monumento de guria
(cinco de frente, três de esguia)
Sem perda de um segundo abordei-a
Convidando-a pra ceia
E de pronto ela aceitou
Com tanta energia armazenada
Já passei-lhe uma cantada:
“Vamos lá pro meu chatô?”
Eu moro num apê em Santo Amaro
O aluguel de lá é caro
Mas não tem elevador
(a escadaria é um suador)
Então ela encarou-me e disse:
“filho…”
Não existe empecilho
Que detenha-nos de amar
(mandei um táxi parar)
No interior de um táxi mirim
Eu resolvi, então, enfim,
Partir de cara pra ação
Depois de mordiscar a sua nuca
Vi que ela usava peruca
E que seu nome era João
(nas horas vagas, Conceição...)
Conceição, eu me lembro muito
bem,
Conceição, eu me lembro muito

 
 
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