02-12-2001
A mensagem de Natal.

Buritis, dezembro de 2001

Seu Fernando:

Cabô o ano.

O sinhô prometeu, prometeu. E tamo no mêmo merdê di sempre.

Mia fía Fatinha, que é chegada nas leitura difíce, me leu o discurso que Voz Celença fez nas Franssa.

Rapaz-menino, aquilo me alembrô us tempo que o sinhô queria fazê tiatro.

Se o Brazí for aquilo mes que o patrãozim disse, nóis em breve taremo ensinano franssêis a fazê préfume e mericano a cozinhá Méqui-Dona.

Seu Fernando, seu Fernando, ó a venta cresceno! Façisso não. Anssim, terminam num lhe dano o imprego que o sinhô tanto fala aqui em Buriti. Aquele negóço de prisidente da ONU, num sabe?

Se a coisa tivesse boa anssim, num tiã cigano sem-terra toda hora arrudiano vossa porpriedade de Buriti. Por que el's haviria de querê lhe tomá as coisa? Decerto o sinhô ajiu dum geito torto co'el's. Nu cumessu, eu até lhe intindia. Agora eu tô achano que os cigano tão acubertado de razão.

Naquele seu primero disgoverno, Voz Celença dizia mí-maravia pr'els. Que ia dá terra até pro cão se assentá. Hoje quem se assentô foi o sinhô. Anda pelos estranja feito artista portante, acenano os braço pro povo, fazeno pose pra fotografia com a dentadura rreganhada.

Agora, pra nóis, é só cara feia, xingo e aroeira no lombo dos pobre dos cigano.

Purissu tudo, seu Fernando, meu povo mais eu nos juntemo aqui na veira do fogo, e parlamentamo um cadim. O resurtado foi o siguinte: cansemo de levá carão. E mais: descobrimo que temo direito. Anssim, se nesse Natá Voz Celença num atendê à seguinte listage, nós entrega a porpriedade por sem-terra de porteira cerrada.

Lá vai:

1. Armentá o saláro do Dagildo, do Domiciano e do Borge treiz vez ou mais.

2. Armentá meu saláro na mema disporproção.

3. Além de armentá os saláro, pagá os saláro todo meiz.

4. Proibí o doidim do Paulo Henrique de vir aqui com jéti-esqui a mó de andá no lago e espantá os pato.

5. Fazê um prano de saúde pra nóis, que mulésta aqui tá reinano.

6. Dizê pro Serra pará de falá de remédio na televisão.

7. Dá um saláro pra Nena, pro Juberto e pro Cleoso, que trabaio escravo cabô faiz tempo.

8. Rompê cum FMI.

9. Pará de paparicá o Tony Bré.

10. Pará de paparicá o Buche.

11. Pará de si paparicá, que tu é vaidoso feito qüenga.

12. Pará de falá franssêis nos estranja, nossa língua é o brazileiro.

13. Fechá de uma veiz esse PSDB, que partido que num tem candidato é mió se escafedê.

14. Mandá o Malã deixá de bestage e disaroiá o real.

15. Atendê a todas essa reivindiscrição, de viva voz, aqui em Buriti, até mais tardá 24 de dezembro. E vistido de Papai Noé. Senão os cigano vão entrá rasgano.

Filiz Natá,

Alencarino, seu criado.

 
 
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