04-03-2002
A carta do Peagα.

Primeira classe do vôo Varig 3037 Paris-São Paulo, 4 de março de 2002

Alenca:

Tudo na paz?

Seguinte, queridão: sabadaço tô chegando aí com uma galerinha amiga. São umas socialites descoladas, uns empresários que eu queria apresentar ao pápi e mais alguns artistas que apóiam a nossa causa.

Tudo gente do peito. Mais ou menos trezentas pessoas. Mas não precisa se preocupar que eu tô levando o gelo.

A mámi disse pra eu te escrever, que aí na fazenda cortaram o telefone por falta de pagamento e não tem e-mail . Vou pedir pro Maciel, meu vice-presidente do coração, pra instalar Internet pra vocês, tá?

Olha, Alenca, o sucesso dessa festinha country-side depende muito da sua força. Eu sou um cara superocupado, tenho mil atividades e a academia me toma 70 por cento do tempo. Conto contigo, cara. E com a Nena, o Juberto, o Cléoso, as meninas, os agregados todos. Vocês pilotam a coisa, eu só fico dando os toques e entrando com a simpatia.

Tentei descolar uma verba pra festa com o Serrinha, meu ministro do coração. Falei pra ele que era um lance cultural, mas estão jogando toda a grana na dengue, não vai rolar. Daí eu precisar dessa mão-de-obra linda de vocês.

Tô pensando numa coisa básica, Alenca. Nada de muita frescura, senão, como diz meu velho, a imprensa manda batatada na gente.

Como o pessoal vem todo de helicóptero, pensei em pedir primeiro que você providenciasse uma pista de pouso simples, porém limpinha, no meio do terreiro. Nem precisa asfaltar, nada. Mas, please , Alenca, não vai me derrubar o pé de caramanchão da mámi na hora de arrancar o mato!

Ela me corta a mesada, cara.

Eu sei que uma pista grandona assim, de uma hora pra outra, pode ser complicado. Mas que tal se você pegasse esses sem-terra aí da redondeza, descolasse uma enxada pra cada um e botasse a moçada pra jambrar?

Ah, se você pudesse mandar o seu pessoal comprar em alguma vila aí perto os seguinte itens, eu acharia superbacana da sua parte. Anota aí:

– 20 caixas de champanhe Don Perignon;

– 15 caixas de vinho Châteauneuf du Pape;

– 30 caixas de água Perrier;

– 10 carneiros marinados;

– 2 bois;

– 40 quilos de carne de faisão;

– 35 quilos de carne de javali;

– 30 quilos de salmão defumado da Noruega;

– 15 caixas de arroz italiano para risoto;

– 10 quilos de funghi porcini ;

– 8 quilos de trufa;

– 20 presuntos “pata negra” espanhóis;

– 3 jet-skies ;

– 1 cama elástica;

– 1 bungee-jumpee ;

– 40 seguranças.

Não sei como está o caixa da fazenda. Se estiver baixo, pode pagar tudo do seu bolso. Logo que eu chegar aí, fazemos o acerto. Talvez eu reeembolse com um cheque pra trinta dias, mas isso são detalhes que depois a gente vê.

Outra coisa, Alenca: o ideal seria que todos vocês estivessem uniformizados. Nada de roupas jecas, botas, chapéus, esses modelitos que usam aí no sertão.

A festa não vai ser em homenagem ao Tonico & Tinoco, entende? Vai ser um babado forte. Então botem uns panos legais, tipo mordomo e governanta, saca? A Nena, de repente, poderia ver como empregada se veste em novela da Globo e costurar as roupitchas.

Brigadão pela força, viu? Beijo em todos e um grande pra você, meu caseiro do coração.

Fui.

Peagá.

P.S.: Só mais um favorzinho: seque o lago que a pista de dança vai ser lá dentro. As tilápias podem ficar pra você.

 

 
 
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