01-05-2002
Alencarino e a Internet.

Indistrito Federá, maio de 2002

O Peagá falô pru Maciel, o da goela cumprida, que aqui num tiã ternéti.

Dois dia adespois, marcado no relójo, viéro na fazenda treiz rapaiz do Mininstéro das Descomunicassão. Passáro fio, butáro fuzíve, o diabo a quatorze. Já tiã curuja piano quano cunsiguiro instalá u tar do cumputadô na sede.

Di formas que stô mandano agora o premêro imêi de Buritis pra Voz Celença.

Ô máquina besta esse diacho de cumputadô, rapaz-prisidente! O negósso é uma caxa de televisô grande, ponente, maize compretamente muda e mouca.

Num passa novela, num passa firme, futibó, nadica de nada. É só umas letra rolano por riba dos ói da gente. O povo daqui tá tudo vesgo, de vista esfumarada, de tanto oiá us verbo passano dum canto pro otro do bicho.

O rapaiz do Mininstéro contô que o maquináro custô uma furtuna da pôrra. E que tá tudo ligado nu cumputadô do generá Cardoso, aí em Brasilha. Ele fica sentadim na mesa de'l só curiano o que us cigano sem-terra tão prontano por essas banda do Cujo.

Além do maize, o seu ordenanssa vê o que eu, a Nena, o Cléoso e o Juberto tamo fazeno em Buritis.

Fiquei cafifado foi dele tamém pudê bota os ói no que as minina tão procedeno nas intimidade delas.

Ô seu Fernando, aqui é a Casa dos Cardoso, num é a Casa dos Artista!

Pió de tudo é que num percizava de cumputadô, ternéti, imêi, esses trem todo na fazenda do sinhô, patrãozim.

Pra mim era uma ligria, uma insastifassão boa, levá os velopim cas carta pro Correi todo meiz. Ia ponteano a viola na charreta inté a vila, contrava us cumpádi, tomava uns birináite e vortava pá traiz.

Agora é pertá um butão e, pimba, o sinhô lê tudim aí no Pranarto. Perdeu a grassa.

Otra coiza: cum esse dinheiro do maquináro Voz Celença pudia ter comprado a vaçina dos boi brango. Os bicho tão tudo perrengue, cai-num-cai, tô achano que pegáro foi dengue.

Falano séro, seu Fernando: fora essa bestage de ternéti, nunca vi essa porpriedade tão bandonada.

É por que o Lula vai ganhá?

Se avexe não, hômi. Se o barbudo faturá a leissão, vai querê vê as fazenda tudo nus trinque. Com pordussão forte pá competí cus gringo extranjero.

Aí, pronto: o sinhô - apusentado, lascado e esquicido - vem pra cá trabaiá mais eu. Eu pranto, cuido dos boi e o sinhô arruma fenanciamento cus amigo Chisráque e Toni Bré.

O Lula, ganhano, vai dá pra nóis dois o títalo de “agricurtô-padrão”.

Vai sê maize um troféu pro sinhô botá junto com seus diproma.

Pensse nisso. Apusentado pirciza di tê uma tividade!

Abrassos,

Alencarino.

 
 
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