02-07-2002
A queim interessá póça.

Buritis, julho de 2002

Cumpádis, cumádis da Cars Amigu e populassão em geraiz:

Adespois de arrecebê um morro de carta, telefone i mêio docêis, quiria ví a púbrico pra confirmá uma coiza: tô vivo.

Vivo, mi'a gente, maiz morto de rãiva i tristesa.

Oje vô abrí o bico sem dó neim piedade, qu'eu tô enjureado.

Sá pur que?

Premêro lugá purque, mezmo eu num têno conhicido apessoarmente meu colega caseiro de Biúnas, eu sabia quel'era um hômi onrado, pai de famílha e nunca qui miricia uma sina deças.

Segundo lugá purque, anssim como cunteceu uma trajédia deças cum a famílha dele lá em Sum Paulo, iço tamém pudia cuntecê, a cuarqué instanti, cumigo (ou cum meus parenti) aqui em Buritis.

Tarvez isso só num assucedeu-se purque, faiz um ano, saímo da chacrinha do hômi e viemo cuidá da fazenda dele aqui.

Ói, na franquesa: acho qu'inda num me mataro tamém purque Deus Noço Sinhô num quis. Afinar de conta, pobre oje tá morreno maiz qui barata em galinhêro.

I digo maiz. Onte assentei no pé de jaca i, tristóim qui tava cum a morte du meu colega, garrei a pensá. Adespois de duas ora de parlamentação cumigo, parei numa concrusão: nosso patrão é o mezmo. I ele, além de responsávi pelas porpriedade de Biúnas e Buritis, é responsávi pelas seguranssa púbica do Brazí.

Du mezmo geito qui ele largô mão da chacrinha e da fazenda de Buritis (a ponto de cigano sem-terra fazê forró no terrêro), largô mão das pulíça, das Lei, dos tráfego di torpecenti. Entonce a bandaiêra tomô di conta.

Pió: o patrão largou mão da Enducassão, feiz uma maquiage nos ricurso do povo. Quantas veiz num vi ele na varanda, fazeno matemática na carculadora maiz o Arminho.

O resurtado taí. Povo dizisperado, agino feito besta-fera, matano us caseiro, us pai de famílha purcauso de cuarqué viaje.

Bote nessa istória uns juro maiz arto qui corcova de nelóre, qui é pros amigos banquêro do Malão continuá usano cartola, e ocês comessa a entendê purque u miolo du brazilêro tá ficano frôxo.

Morrí não, cars amigu, grassa Deus. Maiz botem as barba de môio. Cuarqué um pode passá deça pruma mió, quano menas esperá, anssim no baque da ora: o caseiro de Biúnas, eu, minha muié, ocê, seus fío. Qui Jesus Cristim us livre, num quero már a ninguém. Maiz a coiza tá disguvernada, feito montãia-ruça.

Como num tô pá grassa oje mezmo, tem maiz: si o sinhô tivé lendo eça carta, seu Fernando, saiba qui eu tô pedino as conta. De agora em diante, eu num sô maiz u caseiro do prisidente. Sô só caseiro.

Vou lá trabaiá cum patrão qui nem no velóro do empregado cumparece?

Partir de amanhã, cumesso na fazenda do visinho.

E, daqui pá frenti, us cigano sem-terra qui diministrem sua porpriedade.

Fumo!

Se lhe dé nus nervo, tome um carmante.

Do ex-caseiro,

Alencarino.

P.S.: Dispenso viso-prévio.

 
 
Veja também:

Crônicas
O Caseiro do Presidente
Aboboral
Limeriques e Casteliques
Letras
Privadas do Mundo
Nestor & Laika
E-mails dos Leitores

Castelorama - Home page

Fale com Castelo

 
 

Crônicas  O Caseiro do Presidente  Aboboral  Limeriques e Casteliques  Letras  Privadas do Mundo  Fale com Castelo