01-08-2002
Férias em Brasílha.

Indistrito Federá, agosto de 2002.

Seu Fernando:

Tamo de féria.

Durante u tempo qui trabaiêmo pru sinhô, nunca tiremo.

Mãiz agora, qui tamo di caseiro na fasenda do vizim, peguemo uns dia antes de butá a mão na maça.

Nena e eu tamo em Brasílha.

Êita lugá qui o sinhô iscôieu pá aguverná, hein, seu Fernando!

O tar do Assenado parece aquel´s prédio qui o Bin Ladi storô lá nus estranja.

O palaço adonde o sinhô disguverna, o chamado Pranarto, é miózim.

Mãiz pru sinhô assubí aquelas rampa todo dia, haja ovo di franga caipira, sô.

Tamo cunheceno o Indistrito Federá di ôimbus. Fui aí que apruveitemo pá tê um cunverse mãiz u povo de Brasílha. A mó de ouvi u qu´els tão pensano du seu adisguverno.

Anóte.

De cada deiz pessoa, deiz qué lhe atochá u dedo nos óio.

De cada vinte brasilhense, vinte qué, além de lhe atochá u dedo nos óio, lhe dá uns cascudão na tampa da cabessa.

A maioria tão arrevortado. Mãiz us mutivo são adiverso.

Uins é purecausa do dóla custando os óio da cara.

Diz el´s qui isso armenta a gazolina. E armentano a gazolina, sobe até u presso du papé giênico.

Otros tão desacorçoado cum Voz Celença purecausa da dívida ezterna.

Diz el´s qui o sinhô vendeu a nassão.

Quando apeô na prisidença, us dinhêro qui fartava pra pagá era um. Agora é coiza de trião de reá.

Só qui us mãiz puto-dentro-das-carça com o sinhô, di longe, são us professô.

Eçes tão doido pá lhe dá uma coça de relho nus quarto.

Ali é raiva, rapaiz-prisidente, o resto é afeissão.

Tamém, seu Fernando, o sinhô arregassou us pobre. Inté eu, qui vivia lazcado de dinhêro lá em vossa propriedade, ganhava mãiz que esses cabôco da Inducassão.

Tome tento, seu minino. Qui nesse andá di carruage, Brasílha vai virá Buenus Áiri antes du sinhô ispetá a faicha de prisidente no desinfeliz que assumí u seu lugá.

Sobre miã demição.

Bão, seu secretáro ficô de mi pagá tudo u qui as Lei di Voz Celença determina. Inté agora num vi um reá.

Peó: o seu Oswardo, porprietáro da fasenda vizinha da du sinhô, me ofereceu um saláro mió (u qui não é lá muito difice).

Pur isto, tá levano tamém u Dagildo, u Borges e u Domiciano. Uz treiz, quano soubéro qui eu ia ganhá maiz, si oferecêro e o homi num regatiou.

Anssim, lamento informá, mãiz Buritis tá prontinha pá ser tomanda pel´s cigano sem terra.

Queim sabe agora o sinhô num toma di conta.

Tem tanta gente aqui em Brasílha sem fazê nada.

É só butá pá trabaiá nas vossas terra.

O Peagá, purinxemplo, é um qui pudia diministrá a fasenda prusinhô.

Abrassos do ex-caseiro,

Alencarino.

P.S.: A Nena manda um recado. Diz que, à confusão de sair di vossa porpriedade, teve de largá mão do caramanchão de nhã Ruth. O bicho tá morre num morre. Se o Peagá vié ficá de caseiro, a premêra tarefa é moiá e adubá a pranta. Sinão, babau. Feito a conomia do Brazí nesse seu disguverno.

 
 
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