01-11-2002
O Adeuz.

Buritis, novembro de 2002

Seu Fernando:

Eztas má trassadas linha são as úrtima qui inscrevo pru sinhô.

Acabô seu disgoverno.

Acabô, si Deus quizé, o tár do neoliberalismu no Brazí.

Acabô meu emprego (seu Oswardo, o da fasenda defronte à vossa, me ademitiu eu, Dagildo, Domiciano e Borges).

Acabô minha paizciênça.

Por isso, tamo ganhano mundo, seu Fernando.

Chega de bancá o besta!

Se assente numa portrona qui eu tenho uma nutíça pá lhe dá: aconvencidos pelo Dagildo, Domiciano e Borges, Nena e eu entremo na filêra dos cigano sem-terra.

Tamo acampado e tudo. Já aprendemo o hino do Messetê e tamo seno fabetizado pelas cartilha do Paulo Freire.

Quano o sinhô arrescebê essa carta, taremos junto maiz mír famílha aqui de Buritis dentro de sua porpriedade.

Eu sei qui isso vai lhe trazê dezgosto. E o qui Voz Celença já passô de nelvoso esse 2002 foi dimais da conta, nóis tem cunciênssa diço.

O Antóim Carlos lhe apedrejô.

O Peagá lhe intristeceu.

O Serra lhe deixô desacorçoado.

Mas teve geito não.

A porprósta dos cigano sem-terra foi a mió pá nóis.

Cum tanto chão aqui em Minaz, Goiaz, Spríto Santo sem falá na Mazônia e nus Maranhão, pra que nóis vai se privá de fazê o qui nóis tem direito, que é trabaiá a mó de butá pulenta na boca dus nossos fí?

Asseite minhas condolenssa, seu Fernando.

Maiz fique sabeno tamém qui, ninguém mió qui nóis, pá tocá u pedacim de terra qui foi de Voz Celença ( e agora é di quem trabaia a mó di fazê o Brazí sê o qui é).

Os boi brangu vão tê uma atenssão redobrada.

As prantassão toda vai vicejá como o quê.

Os saláro num vai trazá maiz.

Resumino: mió que isso, só duaz veiz isso.

Mande lembranssa pá Nhã Ruth. Diga qui o carramanchão dela vai ficá uma belezura di bem cuidado.

Adeuz, rapaz-ex-prisidente.

E se alembre sempre duma couza: nóis pode até sê caipira, maiz neobobo nóis nunca fumo não.

Que Deus lhe portreja dos Procuradô da Rimpúbrica, amém!

Alencarino, Nena, Cleoso, Juberto, Fatinha, Neninha, Dagildo, Domiciano e Borges.

 
 
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