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|  | Uma casa bem bacana
Tatiana Leite, 25 anos, e Andrea Simioni, 27 anos, formam uma dupla das mais criativas que conheço. São jovens, bonitas e muuuito animadas. Mais do que tudo isso, corajosas! Conheceram-se quando cursavam a faculdade de moda Santa Marcelina. Pouco conviviam, não iam pra balada juntas, mas as conversas, quando aconteciam, eram sempre cheias de assuntos "papo-cabeça". Acostumadas a viajar desde pequenas com suas famílias, descobriram que poderiam criar um projeto de viagem. A idéia ficou quietinha, gravada na mente de Tatiana durante todo o curso. Depois de formadas, resolveram colocar em prática o sonho e viajar pelo mundo afora. A idéia era fazer um diário de fotografias e histórias. A primeira viagem foi para a Ásia e depois, para muitos outros lugares. Mas não foi assim, pá-pum, comprar a passagem, fazer as malas e viajar. Não. O preparo todo durou meses: roteiro, cultura, cidades, livros, tribos, comidas locais - elas estudaram tudo. Preparam-se como manda o figurino: uma mochila especial, foi "montada" em Nova York, com tudo o que se possa imaginar para ir para lugares menos, digamos assim, urbanos. Pronto-socorro completo, cloro para colocar em água, todas as injeções e remédios possíveis. "Foi e tem sido um aprendizado constante", diz Andrea. "Uma das coisas que mais nos encantam é que as pessoas desses lugares são felizes, parece que não existe inveja, o sentimento de quero ter o que o outro tem. Outra coisa muito forte e bonita é o respeito que se tem pelos mais velhos e pelos monges. São eles os ídolos do povo", concordam as amigas. O diário ficou cheio de páginas e de fotos lindas, registrando hábitos e culturas de povos diferentes que deram às meninas um outra visão de mundo. Até agora, conheceram mais de 200 cidades da Indonésia, Tailândia, Vietnã, Laos, Camboja, Nepal e Malásia. Conviveram (e muitas vezes se "hospedaram") com cerca de 30 tribos. Depois de um tempão perambulando pelo mundo, decidiram que era hora de dividir todo esse conhecimento. E mais alguma coisa: as milhões de coisas que compraram pelo caminho. Além de mais sábias, tornaram-se também ótimas comerciantes! Assim abriram a Casa 15, uma loja das mais deliciosas de se entrar. Tudo o que tem pra vender é lindo, mas, mais do que isso, o astral é muito especial. As fotos, enormes, mostram sempre um detalhe de como aquilo que está exposto na loja, é usado nos "locais". Tudo tem uma razão para estar ali. Saris do Nepal, sedas do Vietnã, jóias deslumbrantes, adornos tribais, objetos de decoração, incensos divinos vêm carregados de histórias, de emoção, de alma. Isso está no ar, você sente quando começa a olhar peça por peça. "Já faz cinco meses que abrimos a loja, mas ela não é uma obrigação. O que continua valendo são nossas viagens, os amigos que temos lá fora, as fotos que curtimos tirar, os filmes que fazemos. É até possível que tudo isso vire, um dia, um documentário", contam animadas. Conversar com Andrea e Tatiana é ficar horas e horas fascinada, sem querer parar de ouvir. Tudo deu tão certo que agora ampliaram os negócios: começam a importar móveis e a criar e confeccionar as roupas da loja (todas com tecidos que trazem). "Cada peça tem uma história, não é simplesmente uma roupa. O casaquinho militar com uma flor nas costas conta a ocupação do Tibet pelos chineses, em 1950. Os móveis, pintados à mão, têm cores e elas têm significados. É muito fácil perder a essência quando se trabalha com o consumo e a gente não quer isso de jeito nenhum. Nunca vamos ser só comercial", diz Andréa. A Casa 15 fica na rua Cristiano Viana, nº 61, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. É uma vila que tem um grande portão de grades brancas e muros pink. É preciso prestar bem atenção porque é difícil imaginar que ali existe uma vila com várias casinhas. O telefone é (11) 3081 2492. Supervale a visita!
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