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CIÚME - ALGUÉM ESCAPA DELE?

Eu, que fui ciumenta de carteirinha, posso dizer que é um dos sentimentos mais doloridos. Acho que mais dolorido pra quem sente do que pra quem é o alvo dele. Fiz coisas que até eu duvido quando lembro, tipo colocar peruca, pedir o carro da amiga emprestado e ir atrás do namorado. Pode? Pode. Ainda bem que a gente cresce, pelo menos faz força para isso. Acho também que a dor vem muito do que a dra. Silvana Martani fala nesta entrevista: a baixa auto-estima, o se sentir "menor", o perder a parada. Enfim, este é um assunto que dá pano pra manga e nada mais apropriado do que repensar o amor – e o inevitável ciúme – no mês em que se comemora o dia dos namorados.
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A dra. Silvana Martani (foto ao lado) é formada pelo Instituto Unificado Paulista, Faculdade Objetivo e é, desde 1984, psicóloga da clínica de endocrinologia do Hospital Beneficiência Portuguesa, em São Paulo. Ministra palestras a pacientes obesos, com distúrbios glandulares e diabetes e dá aulas aos residentes.

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P: Dra. Silvana, existem vários tipos de ciúmes nas relações amorosas?
R: Não vários tipos e sim diferentes intensidades de ciúme. O ciúme normal é uma arma poderosa que defende o amor da indiferença, da mesmice, da convivência morna, temperando de paixão os relacionamentos de uma maneira geral. Você conhece alguém que nunca tenha sofrido por um grande amor (homem ou mulher), que não sentiu ciúmes da família ou de amigos, do cachorro que o namorado (a) leva para passear, do passado, dos (as) exs e de tudo o que fez parte da história do outro antes de chegar na vida dele (a)?

P: (Risos) Acho que não... Isso tem uma explicação fácil de ser entendida?
R: Não é difícil, não. No amor, o sentimento de posse é forte e se encaixa exatamente no tamanho da insegurança de cada um e este sentimento, a insegurança, transforma até o ser humano mais altruísta do mundo em um ser ciumento.

P: O que acontece quando o ciúme é exagerado?
R: O ciúme patológico ou obsessivo transforma homens e mulheres em reféns de parceiros e deste "seqüestro" autorizado, a vítima pode levar anos para se libertar e, provavelmente, com seqüelas próprias dos atos vis e humilhações que este "cativeiro" é capaz de provocar. Neste tipo de ciúme qualquer dúvida, qualquer atraso, olhar vago ou atitude que o obsessivo julgue inadequada para o momento, pode se transformar em denúncia de fatos, certezas de flagrantes prontos para mostrar uma traição.

P: Ou seja, o obsessivo começa a imaginar coisas?
R: Exatamente. Fantasia e realidade se confundem, assumindo proporções absurdas e bizarras e, muitas vezes, criando rituais malucos e inadequados. Existem várias doenças psiquiátricas que têm no ciúme obsessivo um dos seus principais sintomas como, por exemplo, o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e os Transtornos de Personalidade.

P: O ciúme doentio dói?
R: O ciúme excessivo dói e sabemos o quanto já foi e é cantado em verso e prosa. Enquanto o ciúme normal é um sentimento passageiro dá, à medida que o amante se sente mais seguro em relação aos sentimentos do outro, lugar à tranqüilidade e à satisfação. No ciúme Mórbido ou Patológico vários sentimentos perturbadores se revezam tecendo uma rede de dor e sofrimento. Ansiedade, depressão, raiva, vergonha, humilhação, culpa, aumento do desejo sexual e vingança são alguns dos sentimentos que norteiam as atitudes destas pessoas.

P: E que conseqüências isso traz?
R: Dependendo da intensidade da paixão ou da insanidade, não só dói, como mata. Neste tipo de ciúme as conseqüências são camufladas ou omitidas pelas vítimas. Um exemplo são as agressões físicas – infelizmente não existem estatísticas corretas que mostrem quantas pessoas são vitimadas ou quantos homicídios ocorrem tendo o ciúme como pano de fundo.

P: A senhora falou de insegurança. Quais são outras características de personalidade do ciumento doentio e o que fazer para se curar?
R: Quem sente ciúmes desta forma normalmente está deprimido, inseguro, tem baixa auto-estima, não se sente capaz de merecer um grande amor e precisa de ajuda médica e psicoterápica. Não é possível se livrar deste tipo de comprometimento sozinho ou simplesmente com a ajuda do parceiro, pois não é o relacionamento que o deixa doente, mas, sim, a sua estrutura emocional, que se encontra comprometida – o relacionamento somente ilustra e denuncia a patologia.

P: Podemos dizer, então, que o amor de verdade não traz consigo essa carga pesada?
R: Muitas pessoas sofrem desta maneira e acham que os excessos fazem parte do amor verdadeiro. Com certeza, alguns excessos são permitidos quando se fala de amor, mas eles mostram muito mais um descontrole e uma doença do que um grande amor. Como sabemos, amar é um verbo com muitas conjugações. Querer transformar o ser amado em boneco ou marionete cujo único prazer é prestar serviço ao amor louco e doentio é a pior de todas as suas formas.

P: Se senhora me permite, vou escrever a letra de uma música de Gilberto Gil, dos anos 70, O Seu Amor, gravada no disco Os Doces Bárbaros. Seria essa uma boa definição do verdadeiro amor, com confiança em si, no outro e só com uma pitadinha de ciúme? Existe?

O seu amor,
ame-o e deixe-o
livre para amar.
O seu amor,
ame-o e deixe-o
ir onde quiser.
O seu amor,
ame-o e deixe-o brincar
ame-o e deixe-o correr
ame-o e deixe-o cansar
ame-o e deixe-o dormir em paz.
O seu amor,
ame-o e deixe-o
ser o que ele é.

R: Esta é uma ótima definição de amor. Esse amor existe sim, mas ele é resultado do autoconhecimento, do profundo amor próprio, da humildade e confiança, ou seja, da maturidade emocional que todos nós devemos almejar como principal objetivo de vida e felicidade – só assim poderemos olhar e respeitar o outro como ele é.


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