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amidalas/marias do brasil - jaguaribe carne - compacto e simples - swami jr - dota - quinteto da paraíba - josyane melo

chita discos

chico césar para menores

jaguaribe carne - compacto e simples - swami jr - dota - quinteto da paraíba - josyane melo


Ouça as músicas

Basta sonhar Todo Dia

participação especial Ceumar & Miriam Maria

Doente é Bom
part
icipação especial Zeca Baleiro

atualmente esgotado


Ouça as músicas

Apresentação das Marias
Fumaça, Escandalosa e Mole

participação das atrizes da peça

Passarim de Mamãe

atualmente esgotado


Amigos,

É com alegria que apresento os dois primeiros rebentos da coleção Chico César para Menores: “marias do brasil” e “amídalas”. Lançados pelo meu selo chita discos, são de músicas minhas compostas para os musicais infantis homônimos escritos e realizados por Marília Toledo e Rodrigo Castilho.

Para fazer “marias do brasil” me lancei nas lembranças de menino que viveu no interior do nordeste, no sertão da paraíba. E aí fui buscar ritmos, contornos melódicos e harmônicos dos pastoris, reizados e forrós à luz de candeeiro. Até chegar aos ritmos urbanos que hoje atravessam o país via rádio e TV, como o funk e outras pegadas de agora.

Essencial pra realizar este disco foi o trabalho do Fernando Barba, mestre inventor do grupo Barbatuques, que generosamente passou todo seu conhecimento da técnica de uso do corpo para produzir sons. Podem acreditar: não há um instrumento de percussão sequer no disco que não seja o corpo dos integrantes deste Núcleo Barbatuques criado por ele especialmente para “marias do brasil”. Aqui e ali tem um pé no chão, e é só. O pessoal do núcleo (André Hosoi, Bruno Buarque, Daniel Ayres, Daniel Nogueira, Dani Zulu, Estevão Rocha, Flávia Maia, João Paulo Simão, Matheus Prado, Mauricio Maas, Marcelo Pretto e Renato Epstein) botaram pra torar, tanto nos espetáculos quanto no disco, com rigor e pressão impressionantes. As atrizes (Daniela Cury, Débora Reis, Juliana Saad, Marilia Toledo, Nábia Vilella, Neusa Romano, Silmara Deon, Veridiana Toledo e Yael Pecarovich) são cantoras fantásticas e completas, o que dá unidade ao trabalho do começo ao fim, tão bem costurado pela narração de Wandi Doratiotto. Mas não se esqueçam: é uma fábula. Uma versão possível.

“Amídalas” foi a primeira peça, mas é o segundo disco. Diversos fatores contribuíram para isso: minha própria agenda, a agenda dos convidados, a confusão nas leis de incentivo à cultura. É muito simbólica esta situação do conflito de quem vai ser expulso do lugar onde vive mas procura resistir, como em Zé Kéti (“podem me prender, podem me bater, daqui do morro eu não saio não”) ou em Adoniran Barbosa (“Matogrosso quis gritar mas em cima eu falei: os homi tá com a razão, nós arranja outro lugar”). Às vezes resiste-se inventando histórias ou descobrindo-as. A sua própria, como no filme Os Narradores de Javé, de Eliane Caffé. Não é difícil buscar inspiração em torno desse tema quando se vive num país com tanto sem-terra virando sem-teto.

Essa é a história das amídalas que procuram conhecer o corpo onde vivem para saber de si mesmas e resistir à retirada a que estão condenadas. Um excelente pretexto para juntar diversos artistas de minha geração num só disco. Alguns deles não se conheciam pessoalmente -- como Zélia Duncan e Vitor Ramil, que cantam o “Tema das Amídalas”. Outras são parceiros de longa data como André Abujamra e Marisa Orth, que fazem o divertido “Pum”. Estão aí desde o regional boêmio do João Macacão até o grupo negro vocal Persepton, da periferia sul de São Paulo. E todos nós: Zeca Baleiro, Lenine, eu mesmo, Vange Milliet, Ana Carolina, Ceumar, Arnaldo Antunes, Miriam Maria, Moska. Agradeço de coração a todos e a Paulo Lepetit, que co-produziu o disco comigo. É isso.

Para menores, por enquanto é só.
Para maiores, logo logo tem mais.
Um abraço,

Chico César

 

jaguaribe carne – vem no vento

amidalas/marias do brasil - compacto e simples - swami jr - dota - quinteto da paraíba - josyane melo

Ouça as músicas

Vem no Vento

participação especial Lenine

Lambadão
participação especial Chico César

atualmente esgotado

Aí está o primeiro disco do selo Chita Discos, “Jaguaribe Carne – Vem no Vento”. Jaguaribe: o bicho que deu nome ao rio, o rio que deu nome ao bairro, o bairro que deu nome ao grupo. Carne: de alimento, vida e sexo. O grupo Jaguaribe Carne vem do bairro de Jaguaribe, da capital paraibana João Pessoa. E está para a música nordestina como a chamada vanguarda paulistana está para a produção sudestina dos últimos anos.

Tem em seu núcleo os irmãos Pedro Osmar e Paulo Ró. Desde o fim dos anos 70 os dois têm se dedicado a fazer música experimental, mesmo quando se trata de canções, tomando como base ritmos brasileiros como ciranda, coco, maracatu, caboclinho, catira, boi. Antes de ser moda. A isso misturam influências de música do oriente, da áfrica, das vanguardas européias do século passado, do jazz, da música instrumental brasileira.

O texto de suas canções tem contundência e rigor estético, além de compromisso humano e ético. Tudo isso levado a cabo com coerência e teimosia, sempre na contra-corrente. Já não são jovens. E amadureceram fora dos esquemas, dos holofotes. Mas perto da música, dentro dela.

Com isso influenciaram direta ou indiretamente diversos artistas e músicos que travaram contato com sua música e sua postura. Muitos deles estamos neste disco: Lenine, Totonho, Lula Queiroga, Escurinho, Ivan Santos, Jarbas Mariz, Bráulio Tavares, João Linhares e eu. Mais: Paulinho de Tarso, Diana Miranda, Quinteto da Paraíba, Jorge Negão, JPSax, Chico Correia e o Grupo Assaltarte (Milton Dornellas, Xisto Medeiros e Marcos Fonseca). E os poetas Águia Mendes, Lúcio Lins e Sérgio de Castro Pinto. Outros vieram depois, por identificação com o trabalho, como Thomas Rohrer, Célio Barros e Zeca Baleiro. E há aqueles que dividiram com Pedro Osmar e Paulo Ró a sombra da cena alternativa nordestina destes últimos vinte anos, como Xangai, Vital Farias e o mitológico Elomar. Luminosa presença, contamos com a participação de Elba Ramalho: a primeira e uma das únicas intérpretes brasileiras a gravar canções do grupo ainda no início de sua carreira.

Produzido por Xisto Medeiros e Marcelo Macedo, esse é o disco pop do Jaguaribe Carne. Por que ele também sabe fazer. E pode fazer. A agudeza e estranhamento de suas canções e texturas aí estão. Já vem tarde este disco. Quem quiser mais deve procurar com amigos seus discos anteriores já esgotados ou esperar relançamento. O selo está aí. Mãe sem resguardo do primeiro parto. Não esperem espetáculo, festinhas de lançamento, tititi, roupinha da moda, videoclipe, óculos de ciclista. Não há tempo, dinheiro, gente nem vontade de fazer essas coisas. Não há nenhuma grande empresa por traz do selo. Nem distribuição, ainda. O disco pode ser comprado em shows do Jaguaribe Carne e no meu próprio. Depois veremos se algo nos interessa e se alguém se interessa pelo que oferecemos. Aguardem sem pressa o próximo disco. Não sabemos quem nem quando nem o quê. Que virá, virá. Agora, som na caixa.

Um abraço,

Chico César
primavera2003

 

compacto e simples

amidalas/marias do brasil - jaguaribe carne - swami jr - dota - quinteto da paraíba - josyane melo

escutem as músicas: brega - odeio rodeio

gente:

lanço agora este "compacto e simples". é o número zero de um projeto que pretende mexer um pouco num dos muitos modos possíveis de uso de um suporte sub-aproveitado e já quase descartado: o cd. "compacto e simples" nem chega a ser uma invenção: trata-se de um primo tardio dos compactos da era do vinil. um parente curiboca do "single", incompreendido pela indústria no brasil. um contraparente do "smd" contemporâneo já vitorioso na busca de ambiente favorável para lançamento de novos artistas populares ou de artistas consagrados que vêem seu público como parceiros e não apenas como consumidores. boa sacada essa do "smd", hein...

"compacto e simples" bebe nessa fonte. parte de uma idéia básica: a de que é possível produzir e tornar acessível um número reduzido de canções a preços condizentes. e neste suporte "old fashion": o cd. a intenção é mostrar aspectos do trabalho que não cabem nos chamados discos de carreira. canções isoladas, remixes, releituras, quem sabe um clipe ou um dvd-relâmpago com uma ou duas faixas.

preferi começar com "odeio rodeio" e "brega", canções que dialogam diretamente com o imaginário da mais popular música brasileira: a música de parque, de rodoviária, das boates de ponta de rua, dos karaokês, a música onipresente dos programas de auditório, a música que se escuta tanto no quartinho de empregada quanto no home theater em que a família abastada vê seus ídolos. no chalé e na choupana. na casa grande e sob o viaduto. na casa de campo e debaixo da lona preta dos acampamentos à beira das rodovias. ou seja, o "crossover".

escolhi essas faixas por identificação com este universo. e para interagir com ele. não são canções de beligerância. "brega" tem pra lá de quinze anos. "odeio rodeio" tem uns dois. vinha tocando esta música brasil a fora e as pessoas perguntavam sempre pelo disco. "compacto e simples" responde a essa demanda e propõe uma reflexão leve sobre a enorme pressão da mídia pela homogeneização do gosto e do consumo de bens simbólicos.

"eu sou o fruto brega da semente brega que você plantou", diz uma. "eu sei que é preconceito mas ninguém é perfeito, me deixem desabafar", diz a outra. ou seja: me incluo nisso. estou falando de nós. com humor, sem rancor. mas também sem auto-indulgência.

a monocultura estética em torno de temas ligados ao agronegócio copiado do modelo americano tem subestimado a pujança criativa do interior do país. chamamé, polca, toada, guarânia, rasqueado, rastapé, cateretê, catira (e mesmo o rock, o rap e o eletrônico das cidades médias) dão lugar a monotemáticas canções de dor-de-cotovelo com pretensa roupagem pop, empobrecendo o repertório de artistas inegavelmente criativos. artistas que, a meu modo, reverencio e procuro imitar nestas duas canções.

chico césar
outono2005

ps: rita lee está comigo na faixa 1. que amorosa! com os bichos e conosco, humanos...
outro ps: não procurem chifre em cabeça de cavalo pois o unicórnio alado está aí pra nos fazer sonhar.

 

swami júnior - outra praia

amidalas/marias do brasil - jaguaribe carne - compacto e simples - dota - quinteto da paraíba - josyane melo

 

Já tornou-se lugar-comum em nosso meio o merecido elogio a Swami Jr. como o músico ideal para se ter ao lado. Pois essa é apenas uma meia-verdade e esconde muitos dos seus talentos, além de um certo egoísmo de nossa parte. Agora o lançamento de seu primeiro disco solo de canções, este "Outra Praia", vem mostrar o que alguns já sabem: Swami Jr. é um artista da música que pode ser apreciado de diversas formas.E não tem de ser sempre "ao lado" de ninguém. Exímio violonista, baixista, arranjador e produtor reconhecido internacionalmente, revela-se aqui compositor denso.Completo: harmonia, melodia e letra. E nos surpreende a cantar, com personalidade e delicadeza. Dá gosto ouvi-lo, o compositor soltando a voz e trazendo a público aquilo que sussurrou em alguma madrugada de hotel ou num canto de camarim durante uma passagem de som.

O tecido da música popular brasileira se robustece com o talento e a generosidade desse músico imenso que, em diferentes frentes, tanto tem contribuído. Abre sua música para nos receber, parceiros, como sempre abriu sua casa, sua agenda, seu coração para nos acolher e nos ajudar a encontrar caminhos tão claros que só a calma pode ensinar. É nesses andamentos lentos que nega a pressa dos homens e mulheres de negócio que espreitam nossas almas inseguras e nossos corpos carentes de gente que trabalha na artesania do imponderável: a necessária música nossa de cada dia.

E aqui estamos nós, em casa na casa dele feita toda de música, colocados em nosso devido lugar: músicos, cantores, letristas, melodistas, arranjadores, eternos aprendizes felizes em compartilhar essa celebração "ao lado" dele. A música de Swami Jr. nos aparece como farol perene a nos indicar outra praia em meio à neblina urbana, à cacofonia de atitudes dos marinheiros afoitos em suas primeiras viagens. É bom demais ter um mestre timoneiro que em quase silêncios parece nos dizer que bacana é seguir "na vida por inteiro”. Quando ele canta, então, "parece que tudo encontra seu lugar".

Obrigado, mestre.

Chico César, Maio de 2007.

www.swamijr.com

josyane melo - origami

amidalas/marias do brasil - jaguaribe carne - compacto e simples - swami jr - dota - quinteto da paraíba

Ao viabilizar o relançamento deste ótimo "Origami", da cantora gaúcha Josyane Melo, nós da Chita Discos percebemos a vocação deste selo de música: canalizar o trabalho de gente criativa e amorosa como ela e seu co-produtor Swami Jr., cujo primeiro disco solo também foi por nós lançado recentemente. É que a implosão do mercado fonográfico em nada afeta o desejo criativo de artistas como estes que se juntam a seus pares e acarinham o mundo, ofertando belezas e verdades que saem do fundo da alma e do suor dos anos de ofício.

Antes deste disco, Chita para nós era uma abreviatura do nome de seus sócios: Chico César (eu) e Tata Fernandes (minha mais cara parceira). Agora passa a significar Cooperativa Humana de Invenção, Trabalho e Amozade. A reunião de tanta gente que ama música neste "Origami" em torno do gosto, da sensibilidade, da voz, da expressão e da competência de Josyane Melo diz muito sobre os modos inventivos de viver verdadeiramente nossa arte.

Os que já a conhecem do sempre disputado gargarejo da Banda Glória têm aqui uma excelente oportunidade de privar da inquietante intimidade de uma emissão reveladora, não apenas das qualidades vocais em si, mas de um tipo de personalidade que só se manifesta na plenitude do canto. É perturbadora essa proximidade. Vem carregada de histórias. Intransferíveis venturas que só a moça saída do interiorano sul do Brasil para tentar um lugar ao sol na noite do país poderia cantar, pois viveu e escande estas vivências em cada sílaba que pronuncia.

Os que não a conhecem, bem-vindos à sede dos peixes. É ela quem convida ao cantar Evandro Camperon. Bem-vindos ao festival de miragem de Josyane Melo. Venham "penetrar num mundo estranho, viajar dourados sonhos, ouvir a sereia cantar", reitera na homenagem a Iemanjá de Avarese, Lino Roberto e Alfredo Silva, em que ainda conta com a voz do trovão pernambucano Júnior Barreto aproximando a divindade de nossa vida corriqueiramente terrenal.

Na voz brasileira de Josyane Melo inúmeros compositores dão notícias do Brasil: Milton Nascimento e Fernando Brant, Gilberto Gil, Lupicínio Rpdrigues e Caco Velho, Guinga e Aldir Blanc, Jair Oliveira, Fred Mazzucchelli, Paulo Ró e Marcos Tavares, Barbosa Lessa. Em "Canción para Carito", de Antônio Tarrago Ros e León Gieco, nos faz lembrar que quase sempre um tango argentino nos cai bem melhor que um blues. Assume uma porção sul-americana, sufocada e escondida pela nossa jequice midiossincrática.

Com o mesmo rigoroso afeto que escolhe os autores e as canções cerca-se dos colegas músicos. Estão com ela Toninho Ferragutti, Guello, Milton Mori, Guilherme Kastrup, Marcelo Geneci, Danilo Moraes, Luciano Barros, Mané Silveira, Sizão Machado, Felipe Pinheiro, Edmilson Capelupi, Silvinho Mazzuca, André Marques e Chico Vale. É com esta guarda que se aproxima e chega Josyane Melo. É hora de ouvi-la cantar.

Chico César

myspace josyane

quinteto da paraíba - nau capitânia de itamaracá

amidalas/marias do brasil - jaguaribe carne - compacto e simples - swami jr - dota - josyane melo

atualmente esgotado

O Quinteto da Paraíba nos convida a uma nova viagem. A nave que agora levanta vôo sob seu comando é a "Nau Capitânia de Itamaracá", aludindo à capitania hereditária que reunia pedaços do que hoje é Pernambuco com imensos trechos do que veio ser a Paraíba. O pretexto musical são canções de dois autores contemporâneos da música popular brasileira. Não por acaso nascidos um na água pouca do sertão da Paraíba e outro no Pernambuco litorâneo de águas múltiplas. Ambos com mais de vinte anos vividos no Sudeste: um no Rio de Janeiro, outro em São Paulo. Permitam-me que nos apresente: Lenine e eu. É possível que você já tenha ouvido falar. Mas escutado desse jeito que só o quinteto toca, duvido muito.

Os arranjos são de Adail Fernandes, um paulistano que participou das primeiras formações do quinteto tocando contrabaixo, e de seu aluno paraibano e atual baixista do grupo: Xisto Medeiros. Formado por músicos chilenos e brasileiros, o Quinteto da Paraíba nasceu Quinteto Ravel há mais de duas décadas, não demorou a assumir o sol dos trópicos e logo adotou por nome o acidente geográfico que lhe serviu de incubadora. Gravou Capiba, Gonzaga rei, "el gato" Astor Piazzolla, música armorial inspirada na pedra fundamental do mestre Ariano Suassuna. Tocou com Xangai, Sivuca, Toninho Ferragutti, Milton Dornellas e tornou-se parceiro de estradas e loas no meu recente "De uns Tempos pra Cá".

Na música de Jerko Tabillo, Ronedilk Dantas, Samuel Espinoza, Nelson Videla e Xisto Medeiros estão anos de dedicação e estudo árduo misturados à zoada dos caminhões que transportam cana e bagaço de gente e ao ronco de outros caminhões que trazlevam carvão e mais bagaço da mesma gente. Aos emboléus.

É a tritura da moenda do desejo que busca beleza em tudo.

chico césar outono 2007

 

dota - de berlin

amidalas/marias do brasil - jaguaribe carne - compacto e simples - swami jr - quinteto da paraíba - josyane melo

 

Dota apaixonou-se pela música brasileira ainda criança quando ouviu o cineasta Carlos Leite e sua esposa Aenne Bussmann cantarolarem para ela enquanto faziam baby siter na Berlin dos anos 80. Depois, já adolescente, encantou-se com os músicos de rua no Equador que tocavam... mais música brasileira. Logo se tornaria conhecida nos circuitos alternativos da Alemanha e de toda a Europa como "die Kleingeldprinzessin", uma cantora das ruas que também estudava Medicina numa conceituada universidade alemã. Foi a Medicina que trouxe Dorothea Kehr a Fortaleza para um trabalho de extensão. Mas a inquieta Dota logo se aproximaria dos músicos locais, o que resultou em um maior aprofundamento na relação com a música brasileira e num disco com o músico e compositor cearense Danilo Guilherme. É com imensa alegria que nós da Chita Discos lançamos no Brasil uma coletânea das canções desta garota de canto suave e letras cortantes. Para ela dizemos: "Willkommen, princesinha da gorgeta". E que nossas ruas façam afinado coro de boas-vindas.

Chico César

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