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GULA, UM PECADO GOSTOSO!


De uma hora para outra, todo mundo se julga no direito de dar palpite no que se refere a cardápios e/ou pedidos no restaurantes. A alimentação tornou-se uma ciência chatíssima com toda a sorte de números, tabelas e sites na Internet que nos informam as propriedades químicas do que ingerimos.
Ora, o paladar é um sentido tão importante e pessoal como qualquer outro. Portanto, suas particularidades e preferências devem ser respeitadas como tal. Ainda assim, há muitos exemplos de pratos e bebidas que acabaram banidos (ou marginalizados) de nossas mesas por razões tão estapafúrdias quanto incompreensíveis.
Alguns são considerados bregas por já terem tido sua época áurea:
- coquetel de camarão
- estrogonofe
- coquetel de frutas
- fricassê de frango
- o delicioso "Rosso Antico"
- maionese de batata

A lista é interminável. O que ninguém sabe é quem foi o responsável por terem caído em desgraça ou mesmo se era um especialista no assunto.
Outras delícias acabam preteridas pelo fato de pertencerem ao grupo das "que engordam": massas, doces e frituras.
Quer saber de uma coisa? Não se deixe levar por nada disso. Esqueça a moda, os artigos pseudo-médicos, os chatos e, principalmente, o que dizem os amigos. Sem medo, remorso, ou vergonha. De vez em quando não pode fazer mal, ao contrário: provavelmente vai lhe proporcionar uma enorme satisfação.

- Não fique apenas na primeira: peça mais uma Coca-Cola - a Classic, naturalmente.
- Por que o pudor? Peça sua pizza sabor Califórnia, sim. Com direito àquela deliciosa metade quente de pêssego em calda. Se preferir, peça de lombinho canadense com catupiry. Nem ligue para a cara de nojo de seu namorado/a.
- Molhe o pão no vinho. Mas não só a pontinha. Todo o pedaço, até ficar embebido e molinho. Ignore os olhares de censura e desfrute de uma só vez esses dois sabores tão antigos quanto a humanidade.
Sempre que começo esse tipo de preleção penso que posso estar exagerando. Aí me lembro de minha tia avó Sílvia, que, todos os domingos aceitava dois convites para jantar com os sobrinhos e netos. E comia copiosamente em cada refeição nos melhores restaurantes de Roma. A primeira vez, às sete da noite, com a turma que, levando em conta seus mais de 85 anos, achava que ela gostava de dormir cedo. E a segunda, às 10, com a ala da família que há muito compreendera seu espírito boêmio e seu amor pela boa mesa.



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