Daúde (clique para ouvir o disco)
(Natasha 1995)

01. Marinheiro Só
02. Vida Sertaneja
03. Chove Chuva
04. Quatro Meninas
05. O Pensador
06. Véu Vavá
07. Sózinhos de Novo
08.
09. Hoje Eu Quero Sair Só
10. Objeto Não Identificado
11. Anna
12. Chove Chuva (bonus track)
13. Véu Vavá (London Mix)


Marinheiro Só

Caetano Veloso

Eu não sou daqui
Eu não tenho amor
Eu sou da Bahia de São Salvador
Marinheiro, marinheiro
Marinheiro só
Quem te ensinou a nadar
Marinheiro só
Foi o tombo do navio
Marinheiro só
Ou foi o balanço do mar
Marinheiro só
Lá vem, lá vem
Marinheiro só
Como ele vem faceiro
Marinheiro só
Todo de branco
Marinheiro só
Com seu bonezinho
Marinheiro só




Vida Sertaneja

Patativa do Assaré

Sou matuto sertanejo,
Daquele matuto pobre
Que não tem gado nem queijo
Nem oro, prata, nem cobre
Sou sertanejo rocêro,
Eu trabalho o dia intero,
Que seja inverno ou verão
Minhas mão é calejada,
Minha péia é bronzeada
Da quintura do sertão

Por força da natureza,
Sou poeta nordestino,
Porém só canto a pobreza
Do meu mundo pequenino
Eu não sei cantá as gulora,
Também não canto as vitora
Dos herói com seus brazão,
Nem o má com suas água...
Só sei cantá minhas mágua
E as mágua de meus irmão

Canto a vida desta gente
Que trabaia inté morrê
Sirrindo, alegre e contente,
Sem dá fé do padece,
Desta gente sem leitura,
Que, mesmo na desventura,
Se sente alegre e feliz,
Sem nada sabê na terra,
Sem sabê se existe guerra
De país contra país

Cabôco que não cúbica
Riqueza nem posição
E nem aceita a maliça
Morá no seu coração
Cabôco que, nesta vida,
Além da sua comida,
O que mais estima e qué,
É a paz, a honra e o brio,
O carinho de seus fio,
E a bondade da muié

E assim, na sua paleja,
Com a famia que tem,
Não inveja nem deseja
O gozo de ninguém
Mas, por infelicidade
Contra seu gosto e vontade,
Munta vez, o pobre vê
A muié morrê de parto,
Gemendo dentro de um quarto,
Sem ninguém lhe socorrê

Morre aquela criatura,
Depois, a pobre coitada,
No rumo da sepultura,
Vai numa rede imbruida
Um adjunto de gente
Uns atrás, ôtros na frente
Num apressado rojão,
Quando um sorta, o ôtro pega:
É assim que se carrega
Morto pobre, no sertão
Fica, o viúvo, coitado!
De arma triste e dilurida,
Para sempre separado
Do mió de sua vida,
Mas, porém, não percebeu
Que a sua muié morreu,
Só por fartá um dotô
E, como nada conhece,
Diz, rezando a sua prece:
Foi Deus que ditirminou!

Pensando assim desta forma,
Resignado, padece;
Paciente, se conforma
Com as coisa que acontece
Coitado! Ignora tudo,
Pois ele não tem estudo,
Também não tem assistença
E por nada conhecê
Em tudo o camponês vê
O dedo da providença




Chove Chuva

Jorge Ben

Chove chuva, chove sem parar
Chove chuva, chove sem parar
Pois eu vou fazer uma prece
Pra Deus nosso senhor
Pra chuva parar de molhar
O meu divino amor
Que é muito lindo
É mais que o infinito
É puro e belo inocente como a flor
Por favor chuva ruim
Não molhe mais o meu amor assim




Quatro Meninas

Domínio público / adaptação Daúde

Rafa, Bebel, Linderléia, Adelicia, Marilene, Waldelurdes
Eu quero que você me diga o nome de 4 meninas
Eu quero que você me diga o nome de 4 meninas
Eu quero que você me diga o nome de 4 meninas

Diga Odete, Marinete, Rosinete e Orelina
É pra você me dizer o nome de 4 meninas
Eu vou lhe dizer agora o nome de 4 meninas
Se segure camarada no batido do pandeiro
Eu quero é cantar maneiro é no coco da embolada
Isso aí é minha parada cantar coco é minha sina
Poeta não combina você fala e não promete
Odete, Marinete, Rosinete e Orelina
Taí se eu não cantei o nome das 4 meninas
E agora pra me dizer o nome de 8 meninas
Eu tenho que lhe dizer o nome de 8 meninas
Se eu não disser agora o nome de 8 meninas
Se você me arretar eu falo no nome de 100
Que eu não perco pra ninguém na profissão de cantar
Eu quero te avisar a poesia tu combina
Mulher da perna fina eu engano com chiclete
Digo Odete, Marinete, Rosinete e Orelina, Benice, Berenice,
Creonice e Olindrina, ta aí se eu não cantei
O nome de 8 meninas
E agora vou dizer o nome de 13 meninas
A conta vai aumentando você canta eu também canto
Na profissão me garanto olha eu sou pernambucano
Você é alagoano cantar coco é minha sina
Eu cheguei de Belina você veio no seu Chevette
Diga Odete, Marinete, Rosinete e Orelina
Pra você me dizer o nome de 13 meninas
Agora eu tenho que dizer o nome de 13 meninas
Pois então vou lhe dizer o nome de 13 meninas
Você quer que eu diga agora o nome de 13 meninas
Escute que eu vou dizer o nome de 13 meninas

Não me diga que é Maria não me diga que é Joana
Não me diga que é Bastiana não me diga que é Luzia
Não me diga que é Sofia diga o nome das meninas
A nega lá no Pina botou contas com os pivetes
Digo Odete, Marinete, Rosinete e Orelina,

Benice, Berenice, Creonice e Olindrina
Paula, Paulina, Judite, Mariana, Catarina,
Amália, Natália, Soreia e Cristina
E e'pra você me dizer o nome de 13 meninas

Eu vou viajar do Brasil Nacional vou deixar a capital de José de Alencar
Eu vou viajar do Brasil Nacional vou deixar a capital de José de Alencar
Olha que eu tenho que lhe dizer o nome de 13 meninas
Você tem que me dizer o nome de 13 meninas
Tenha cuidado companheiro que eu vou dar uma lapada
Nessa cara debochada vou quebrar o seu pandeiro
Você quebra o roteiro porque não sabe cantar
Se tu me abusar é tanta volta como vira
Aqui não sobra mentira verdade eu quero falar

Eu quero improvisar a poesia é minha sina
Mineiro mora em mina vou te pegar de bufete
Odete, Marinete, Luzinete e Orelina, Benice, Berenice,
Creonice e Olindrina, Paula, Paulina, Judite,
Donana e Catarina, Amália, Josália, Josefa e Severina
Taí se eu não cantei
O nome das 13 meninas
Ta cantado o nome das 13 meninas
Já cantou tá cantado o nome das 13 meninas
Já cantou tá cantado o nome das 13 meninas
Já cantou tá cantado o nome das 13 meninas
Eu vou viajar do Brasil Nacional
Vou deixar a capital de José de Alencar




O Pensador

George Israel / Dulce Quental

Da janela do avião
A cidade brilha oculta
Num compasso de lentidão
Que parece não terminar nunca
É difícil deixar um lugar
Viver em paz morrer por um estranho
No meio da multidão
Inconsciente e louca
O que é real ou ilusão
O coração bate na boca
É difícil amar alguém
Viver no mundo acordar todo dia

Será que existe inspiração no sonho?
Será que existe?
O pensador põe-se a pensar
A revirar a terra pelo avesso
O pensador
No meio da multidão
Inconsciente e louca
O que é real ou ilusão
O coração bate na boca

É difícil amar alguém
Viver no mundo acordar todo dia

Será que existe inspiração no sonho?
Será que existe?

O pensador põe-se a pensar
A revirar a terra pelo avesso
Olhos molhados de amor
Pedras de gelo no ar denso




Vê Vavá

Celso Fonseca / Carlinhos Brown

Véu Vavá da goma negra lô
Olhar que ovacionou relendo a lenda
Militar que aguerriar curou
Expõe no quarado seus pára-quedas
Enquanto há queda de cabelo
Enquanto há queda de poder
Enquanto há queda no ensino
Enquanto há queda sempre AZ
Vê Vavá contrariou as regras
E a limpeza prega pros chiqueiros
Véu Vavá avalizou a relva
E se perdeu na selva porque
Veio
Casaco verde, cachecol, caixa de bala
Maromba, saxofone, baleia, tiranossauro
A elegância do seu dancing
No ar livre
Do jeito que ele vive só ouro
Sabe viver

Mas se pensar que o Vavá é um personagem
Não se engane amizade que o Vavá é um você
Véu Vavá é brasileiro e lê
Vai convidar você pra sua tenda
Se pensar que ele quer lhe vender
Você vai se render com a sua prenda
Enquanto há queda de cabelo....




Sozinhos de Novo

Celso Fonseca

Um tolo só ver o presente
Estamos sozinhos de novo
Ficamos no meio de tudo
Mas tenho certeza que fomos felizes
Por todo esse tempo
O ônibus vai se afastando
O tempo nublou de repente
Tudo ficou esquisito
Penso o que quero pode ser agora
Já não sei mais nada
Amanhã você vai querer me ver
E eu já vou ter ido embora
Espero o futuro na estrada
Cair nos braços do mundo
Tocar minha vida, viver minha música
Ser diferente





Luiz Tatit

Ah!
Não pode usar qualquer palavra
Então é por isso que não dava? Eu tentava repetia
Achava lindo e colocava se não cabe se não pode
Tem que trocar de palavra
Ah!
Mas é tão bom essa palavra
Carregado de sentido
E com o som tão delicado
Agora eu vou ter que trocar
Ah! Vão se danar
Ah! Tem que caber
Ah! Ninguém repara
Ah! Tem que entender
Ah! Mas tá na cara então muda
Harã Hum
Xiii ai aiai hã há tá
Nossa é isso ê ô a
A a a a a aa aaaa
Ah! Não pode usar qualquer palavra...




Hoje Eu Quero Sair Só

Lenine / Mu Shebabi / Caxa Aragão

Se você quer me seguir
Não é seguro
Você não quer me trancar num quarto escuro
Às vezes parece até que a gente deu um nó
Hoje eu só quero sair só

Não adianta pedir nem dar de louca
Vem cá me deixa fugir
Me beija a boca
Se a gente não se cuidar pode ficar pior
Hoje eu só quero sair só
E não demoro eu to de volta
Tchau!
Vai ver se eu to lá na esquina, devo estar
Tchau!

Já deu minha hora e eu não posso ficar
Tchau!
A lua me chama e eu tenho que ir para a rua
Tchau!
A lua me chama e eu tenho que ir para a rua
Hoje eu só quero sair só...
Se você quer me trancar num quarto escuro
Se quer tentar me prender
Não tem futuro
Às vezes parece que a gente é lua e sol
Hoje eu só quero sair só
E não demora to de volta
Tchau!
Vai ver se eu to lá na esquina, devo estar
Já deu minha hora e eu não posso ficar
Tchau!
A lua me chama e eu tenho que ir para a rua
Hoje eu só quero sair só
Hoje eu só quero sair só




Objeto Não Identificado

Caetano Veloso

Eu vou fazer uma canção pra ela
Uma canção singela brasileira
Para lançar depois do carnaval
Eu vou fazer um iê iê iê romântico
Um anti-computador sentimental
Eu vou fazer uma canção de amor
Para gravar no disco voador
Uma canção dizendo tudo a ela
Que ainda estou sozinha apaixonada
Para lançar no espaço sideral
Minha paixão há de brilhar na noite
No céu de uma cidade do interior
Como objeto não identificado
Que ainda estou sozinho apaixonado
Como objeto não identificado
Para gravar num disco voador
Eu vou fazer uma canção de amor
Como objeto não identificado




Anna (Baião de Ana)

F. Giordano / R. Vatro

¡ Hai ! Tengo gána de bailar
Un nuevo compás
Dicen todos cuando me ven pasar
¿ Chica donde vás ?
Me voy p' a bailar
¡ El Bayón !
Hoy tengo gánas de bailar
El nuevo compás
Dicen todos cuando me ven pasar
¿ Chica donde vás ?
Me voy p' a bailar
¡ El Bayón !